A mão de Sérgio que não segurava a caneta cerrou-se suavemente debaixo da mesa.
Ele tinha que aguentar.
O Capitão Farias já estava a caminho.
Desde que ele resistisse, ganhando tempo, haveria uma chance de sobreviver!
Sérgio fez uma expressão confusa: — Por que está dizendo isso?
— Nós fizemos negociações inúmeras vezes sem nenhum problema. Foi só você aparecer e a polícia surgiu.
Sérgio fitou o escuro cano da arma, com o coração saltando pela garganta.
Sua garganta se moveu por um instante e, de repente, ele riu.
— Só por isso?
— Receio que essa não seja a única variável.
Naquele momento, Sérgio utilizou todas as habilidades de negociação que havia aprendido na vida.
Ele olhou para Arthur Franco.
— Não vai dar uma explicação, Diretor Franco?
O rosto de Arthur Franco escureceu bruscamente: — O que isso tem a ver comigo?!
— Carlos, o motivo pelo qual você escolheu cooperar comigo é que o Diretor Franco não só carece de fundos e possui baixa capacidade operacional, mas também está na mira da polícia no continente.
— Um homem que está sendo vigiado e cuja empresa já foi investigada há muito tempo; como ele conseguiu deixar a Cidade N em segurança?
Sérgio olhou para Arthur Franco com um sorriso zombeteiro.
Carlos também moveu o olhar em direção a ele.
Como uma cobra venenosa rastejando para fora de um buraco, ele encarou Arthur Franco, sem piscar; ao mesmo tempo, instruiu a cabine de pilotagem a colocar o barco em movimento.
— Você está falando um monte de merda!
Arthur Franco levantou-se com um salto, batendo na mesa.
— Você realmente acha que sua boca é capaz de transformar pedras em ouro! Há quanto tempo venho trabalhando com o Carlos... por que eu iria traí-lo?
— Porque você está insatisfeito com a forma como eles te usam e jogam fora, temendo que eu te substitua como o novo parceiro comercial, e com raiva por eu tirar o seu dinheiro — respondeu Sérgio.
As pessoas em volta de Carlos assentiram.
— Sim.
— Isso faz sentido.
Arthur Franco tremia de raiva.
Numa situação daquelas, mesmo com oito bocas, seria impossível se explicar.
— Sérgio, foi você.
— Carlos, você tem que acreditar em mim. Um parceiro de longa data é sempre muito mais confiável do que um novato.
— Além do mais, eu tenho olhos e ouvidos na Cidade N. Fiquei sabendo que a ex-mulher do Sérgio também veio para o Distrito de Mirante ontem, quem sabe foi ela quem chamou a polícia!
Sérgio ficou atordoado por um instante.
Júlia?
Como ela poderia estar no Distrito de Mirante?
— Você mesmo disse que ela é minha ex-mulher.
— Diretor Santana, preciso te lembrar o quanto você a deseja? — perguntou Arthur Franco.
Sérgio riu sarcasticamente.
— Então por que não fala do seu próprio filho?
— Você mesmo sabe o quanto o Lucas é idiota. Talvez você tenha agido de forma descuidada e ele tenha descoberto. E para provar a própria inocência, ele chamou a polícia.
O dedo indicador de Carlos repousou no gatilho.
Se não houvessem tão poucos parceiros comerciais disponíveis, ele já deveria ter atirado nos dois ali mesmo e jogado os corpos no mar em águas internacionais.
O iate acelerou novamente para sua velocidade máxima.
Devido à inércia, as pessoas, os documentos e os diversos ornamentos na cabine tombaram e despencaram.
O ronco do motor reverberou pelo tímpano de todos.
Sérgio tinha um bom senso de direção e pôde perceber que a embarcação viajava para mais longe das águas territoriais.
Dois capangas de Carlos correram para o primeiro convés, espiando do lado de fora.
— Sérgio, estou vendo que você ficou louco! — rangeu os dentes Arthur Franco.

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