A janela do iate não estava completamente fechada.
A brisa marítima, carregada de umidade e cheiro de sal e peixe, penetrava no local.
O som das ondas batendo contra o casco e a música da festa lá embaixo podiam ser ouvidos com clareza.
Sérgio olhava fixamente para os itens sobre a mesa, com a espinha ereta e o rosto mais sombrio que as profundezas do mar.
Carlos apoiou um dos pés na mesa de centro e fez um gesto com a palma da mão para cima: — O Diretor Santana não sabe usar, quer que alguém o ajude?
— Isso é uma negociação, não sou eu jurando lealdade a você — respondeu Sérgio.
— O meu propósito é ganhar dinheiro, não me afundar.
— A minha recusa deveria ser razoável, certo?
Arthur Franco cruzou as pernas e puxou um pouco a echarpe de seda umedecida pela maresia.
— Se você não tivesse pedido para ver as informações das contas, essa explicação até faria sentido.
— Mas agora, você tem de provar a si mesmo.
Carlos claramente já não tinha paciência; ele lançou um olhar de soslaio a seus capangas, ordenando que diluíssem o pó branco em uma seringa.
Ele próprio sacou uma arma e girou-a na mão.
— Exatamente.
— Se você quer a parceria, a minha exigência também é justa e razoável.
— Oh, não nos olhe dessa maneira. Quando o Diretor Franco nos procurou em busca de colaboração, esse também foi o procedimento.
Sérgio virou a cabeça e lançou um olhar para Arthur Franco.
Era um rosto com uma expressão extremamente complexa.
Uma mistura de ressentimento, humilhação e arrependimento, que logo se transformou em satisfação e numa inveja inexplicável.
Pelo visto, mesmo que dissesse que queria encerrar a cooperação, a outra parte não pretendia deixá-lo escapar.
Os coitados que viam a verdadeira face de um assassino costumavam ter apenas dois destinos.
Ou se juntavam ao bando, ou viravam defuntos.
Sua voz soou rouca: — Estão apostando alto.
— Um convidado de honra como você, faz valer a pena.
Todos olharam para ele.
Sérgio olhou de soslaio, e de forma discreta, para a pasta de arquivos sobre a mesa e pegou a seringa.
Em seguida, prendeu a respiração, fechou os olhos e injetou-a diretamente no próprio braço.
A cabine ficou silenciosa por um instante.
Plof.
A seringa vazia caiu no chão.
O corpo de Sérgio tremia.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!