— Sra. Júlia?
Júlia recuperou o controle de si por um momento e tentou esboçar um sorriso:
— Vou encontrar um jeito de convencer o Diretor Santana a ser internado.
O Dr. Mendes esfregou as mãos, um pouco constrangido.
No fundo, estava resmungando que Sérgio tinha pegado pesado. Queria ganhar compaixão, mas, para isso, precisou fazê-lo participar do teatro.
— Bem... Na verdade, para quem está doente, a saúde mental também é muito importante.
— Já que o Diretor Santana não quer ir para o hospital, ficar em casa dá no mesmo.
Mas Júlia ouviu aquilo como se o Dr. Mendes estivesse dizendo que o caso já não tinha salvação e agora o que restava eram apenas cuidados paliativos.
— O que vocês estão conversando?
Sérgio tirou as luvas, viu os cacos de vidro perto de Júlia e franziu as sobrancelhas.
— Não se mexe, deixa que eu limpo.
Haha.
Nessas horas, ele não lembrava que as suas mãos foram feitas só para assinar papéis e documentos importantes.
O Dr. Mendes revirou os olhos disfarçadamente e subiu com a sua equipe para montar os equipamentos médicos no quarto.
Em seguida, deixou algumas instruções.
Depois de o médico ir embora, Júlia sentou-se na bancada do andar térreo e ficou lá a tarde inteira.
Pelos grandes painéis de vidro, pôde acompanhar o andamento da construção da casinha de coelho com Sérgio e Dora.
E não apenas a madeira! Ela não fazia ideia de onde Sérgio tinha arrumado tantas ferramentas, mais até do que um carpinteiro profissional.
Ele desenhava, cortava, lixava e ainda passava cera.
Dora dizia que estava ali para ajudar, mas, na verdade, só rodeava Sérgio, fazendo um zilhão de perguntas.
Sérgio usava o mesmo foco de quando conduzia várias reuniões internacionais simultâneas: trabalhava com as mãos e respondia às dúvidas da filha de forma cirúrgica.
Júlia preparou uma pequena panela de chocolate quente e espesso.
— Mamãe, que quentinho e docinho! Tá muito gostoso.
Mas Sérgio franziu as sobrancelhas.
Faltou pouco para ele não cuspir o chocolate que tinha tomado.
Júlia não resistiu e riu:
— Ficou doce demais?
— Hum.
Ele queria muito fingir que tinha gostado, mas simplesmente não conseguiu.
— Doce pra caramba.
— Mas foi você quem fez, então tá tudo bem.
Júlia não imaginava que, no final do ano, ainda teria propostas de trabalho.
A voz de Patrícia transbordava de animação.
— Desta vez o convite não é qualquer coisa não. Você vai ter que aceitar, é uma apresentação na Gala de Natal!
Júlia achou estranho.
— Mas como é possível? Esses eventos costumam fechar a programação e os convidados meses antes.
Patrícia:
— Era para ser assim. O que aconteceu foi que um dos cantores acabou se metendo num escândalo judicial envolvendo um patrocinador, e eles precisam urgente de um substituto.
— A produção do programa também viu que você está bem em alta ultimamente. Sem contar as campanhas beneficentes em que você tem participado desde a época do tribunal. A produção deu uma investigada e sabe que você tem a ficha limpa. Se você não tiver nenhum outro compromisso, não recuse.
Júlia, porém, ficou meio em dúvida.
Desde o nascimento de Dora, ela nunca tinha passado o Ano Novo longe da criança.
Ainda mais agora, com o Sérgio daquele jeito.
— O Diretor Santana doente?
Patrícia quase não acreditou ao ouvir a notícia pela primeira vez.
— Aquele homem enérgico que vive agitando tudo, ficando doente?
Júlia, a princípio, ia dizer que ia pensar melhor no assunto.

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