— Oreo?
Sérgio Santana olhou para o coelho e sorriu.
— Como esperado da minha filha, até os nomes que escolhemos são iguais.
— Iguais a quê?
Sérgio explicou:
— O papai também teve dois coelhinhos quando era criança, um preto e um branco, que se chamavam Oreo.
— E onde eles estão?
Sérgio pareceu se perder em pensamentos, e sua expressão desvaneceu.
— Morreram.
Júlia Guedes notou que o tom da voz dele havia mudado.
Ao olhar para ele, percebeu que até o seu semblante estava opaco.
Ela teve a intuição de que aquilo tinha algo a ver com aquela casa, ou melhor, com os pais de Sérgio.
— Ah?!
Dora abraçou com força a gaiola do seu coelho.
— Então o papai não pode encostar no meu coelhinho.
Sérgio acariciou o rosto da filha.
— Está bem, se você se comportar, o papai não vai mexer em nada.
— Eu me comporto, a Dora sempre se comporta!
Sérgio também havia comprado uma série de acessórios.
Havia uma gaiola interna, um cercadinho para eles andarem soltos e uma casinha para se esconderem.
Pelo visto, ele realmente já havia criado coelhos.
Várias vezes, Júlia quis perguntar sobre o porão e os coelhos mortos, mas não encontrou a oportunidade certa.
Sérgio estava arregaçando as mangas para montar o cercadinho.
Aquele casal de coelhos havia se tornado a nova diversão de pai e filha.
Júlia balançou a cabeça e se virou para ir à cozinha preparar a comida.
Para cuidar de Sérgio, que estava doente, Júlia preparou hoje uma canja de galinha bem leve.
Para a carne, escolheu cortes macios de bacalhau acompanhados de vegetais.
A comida logo estaria pronta.
Desde que Sérgio voltou para aquela mansão, embora tentasse agir o mais normalmente possível, Júlia conseguia perceber.
Ele falava bem menos e se perdia em pensamentos com frequência.
Quando não havia ninguém por perto para incomodá-lo, o seu rosto ficava praticamente sem expressão.
Como uma flor que já passara da época de floração, murcha e sem vida.
Na hora de mastigar e engolir, parecia querer dividir cada grão de arroz em oito pedaços antes de comer.
— O que foi? O seu estômago está incomodando e você não consegue comer?
Sérgio se assustou por um momento:
Sérgio manteve a cabeça levemente abaixada.
A luz suave caía sobre o seu rosto, mas, em vez de trazer calor, apenas acentuava a profundidade do seu nariz e dos seus olhos.
— Se eu te contasse, você ainda teria rompido com o Lucas Franco?
Ao dizer isso, Sérgio não pôde deixar de espiar a expressão de Júlia.
Ele escolheu as palavras com cuidado.
— Você já parou para pensar que o Lucas talvez não seja completamente ignorante sobre tudo isso?
Ao ouvir isso, Júlia finalmente compreendeu.
Sérgio tinha medo de que ela se deixasse cegar pelos sentimentos e revelasse o plano para o Lucas Franco, então decidiu enganá-la também.
Dessa forma, quando Arthur Franco e Lucas Franco ligassem, a sua raiva e frieza pareceriam absolutamente genuínas.
— Você...
Júlia acabou rindo de tanta raiva.
Ela respirou fundo antes de perguntar novamente:
— Você acha que eu atuo mal ou pensa que sou idiota?
Sérgio estava com a cabeça levemente abaixada, tentando ver se Júlia estava com raiva.
Ao ouvir aquilo, seus olhos se curvaram em um sorriso.
Ele estendeu a mão e afagou a cabeça de Júlia, da mesma forma que fazia com Dora.
— Você não é idiota. O idiota sou eu.

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