— Por acaso as pessoas só devem fazer as coisas se houver alguém para apreciar?
Júlia o xingou de insensível e que não entendia nada de romantismo.
Sérgio apenas deu uma risadinha, considerando a exibição dela sem graça.
Os dois não conseguiram se entender na conversa.
Júlia não pôde evitar um sorriso ao se lembrar disso.
Mas quem diria que, ao baixar os olhos e voltar a erguê-los, a plantação de rosas vermelhas à sua frente havia se transformado em rosas brancas.
O coração de Júlia gelou, e ela se virou instintivamente.
Para sua surpresa, havia um caixão atrás dela.
Ela cobriu a boca com as mãos.
Mesmo sem olhar para dentro, algo em seu interior tinha a certeza de que era Sérgio.
Naquele exato instante.
Um arrepio percorreu todo o seu corpo.
Não era apenas a reação física de quem se assusta.
Mas um medo e um remorso indescritíveis que irromperam de repente, das profundezas de seu ser.
Vaso ruim não quebra, praga de gafanhoto dura mil anos.
Ela nunca imaginou que Sérgio pudesse morrer.
Júlia começou a correr desesperadamente.
A paisagem ao redor passava velozmente para trás.
O caixão escuro como breu parecia um pedaço de papel sendo arrastado pelo vento; não importava o quanto ela corresse, a distância continuava a mesma.
Os braços e as pernas de Júlia doíam de cansaço.
Suas lágrimas eram espalhadas pelo vento, que fustigava o seu rosto, machucando a pele.
Finalmente, não conseguiu mais dar nenhum passo.
No momento em que parou, foi dominada por uma forte sensação de queda livre.
Júlia caiu em um salão todo branco.
Dessa vez, o caixão estava imóvel.
Havia uma longa fila de pessoas, depositando flores sobre a mesa, uma após a outra.
Eram rosas brancas, mais uma vez.
Júlia avançou a passos rápidos.
Ela viu Sérgio repousando em silêncio dentro do caixão, com as mãos cruzadas.
Ela sempre achou que aquele homem não tinha expressões, que fazia tudo de um jeito gélido.
Mas, por mais frio que fosse, sempre marcou uma presença.
Diferente de agora.
As lágrimas de Júlia a aqueceram e embaçaram sua visão.
O corpo dentro do caixão e as flores começaram a se distorcer.
Seu peito foi tomado por um pavor incalculável.
— Sérgio...
— Sérgio!
Júlia se debateu em sobressalto e abriu os olhos.
Dando de cara com o rosto de Sérgio.
Ele parecia muito surpreso e recolheu a mão, como se tivesse sido pego no flagra.
— Você acordou.
— Você parecia... estar tendo um pesadelo agora há pouco.
— E até chamou o meu nome.
— Por que está chorando, você por acaso é a Dora?
— A Dora é você!
Júlia não se esquivou dele por causa da agulha.
Apenas fungou.
— O que exatamente é essa sua doença?
O corpo de Sérgio ficou tenso.
Júlia ignorou a sua agonia relutante e perguntou:
— Então, aquele Testamento de antes, foi por causa disso, certo?
Sérgio abaixou suavemente o olhar.
Focando as duas mãos entrelaçadas.
Deus sabe.
Quanto tempo, desde o divórcio, ele ansiara por aquele momento.
Sérgio realmente desejava que Júlia jamais soubesse de nada.
Mas, ao mesmo tempo, desejava que ela soubesse.
Após um longo tempo, Sérgio deu um suspiro.
As palavras estavam nitidamente presas na garganta, mas dizê-las era uma tarefa hercúlea.
— Eu estou doente.
— Câncer de Estômago.
Júlia ficou paralisada onde estava.
Sérgio deu uma risada irônica de si próprio:
— Eu estou morrendo.

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