Algo em sua mente desmoronou com estrondo.
Quando soube que a avó estava gravemente doente, Júlia sentiu como se tivesse levado uma pancada na cabeça.
Agora, ao ouvir a notícia da doença grave de Sérgio,
sentiu como se um buraco gigantesco, da altura de um prédio de dezenas de andares, tivesse se aberto sob seus pés.
Ela apenas despencava, tonta e desorientada.
Sérgio segurou sua mão, usando o indicador para acariciar levemente as pontas de seus dedos.
Roçando com extremo cuidado.
Como o rabo felpudo de um pequeno animal, balançando hesitante ao redor de quem gosta.
Ao menor sinal de rejeição, ele se afastaria no segundo seguinte.
— Que bobagem.
A voz de Júlia tremia levemente.
— Não estou mentindo para você.
— Vou pedir para o Éder vir mais tarde. Desta vez, não precisarei me preocupar em como iniciar o processo do testamento.
Sérgio disse isso com um sorriso.
Júlia deu um passo para trás.
Ela não queria vê-lo sorrir daquele jeito; era doloroso.
Sérgio soltou sua mão.
Ele ficou sentado em silêncio, a voz muito baixa.
— Fique aqui comigo, encare como... ter pena de mim.
— A gravação que você tocou ontem era real, mas não era tudo. Não fique com raiva.
Um zumbido soou nos ouvidos de Júlia.
Apenas o som de batidas na porta, "toc-toc-toc", era claro.
— Coelhinha, abra a porta para mim.
— Papai, mamãe, adivinhem quem é?
Os olhos de Júlia estavam vermelhos e inchados.
Sérgio apressou-se em apontar para o banheiro, indicando que Júlia fosse se recompor para não assustar a filha.
Ele, por sua vez, gritou: — Éder.
— Não.
— Dona Eunice.
— Também não.
Sérgio estava fazendo essa brincadeira boba apenas para dar mais tempo a Júlia.
Mas não contava que Dora fosse perder a paciência.
Ela abriu a porta diretamente, de cabeça baixa.
— Dona Eunice, diga à avó para descansar bem. Eu ficarei de olho no Sérgio aqui, e hoje mesmo contratarei um cuidador.
— Sim, sim, claro.
Dona Eunice tinha um semblante preocupado, e só ao ouvir Júlia dizer aquilo foi que ela sorriu genuinamente.
— Se a Dona Helena souber, com certeza comerá um prato a mais no jantar.
Júlia preparou um prato de frutas cortadas.
Dora abria a boca, comendo alegremente, fazendo "nham, nham".
— Papai, qual é a sua doença? Você pegou um resfriado como a Dora?
— A mamãe já disse para você não beber, mas você não ouve.
— E ainda saiu escondido.
Depois de dizer isso, Dora virou a cabeça para olhar para Júlia.
— Mamãe, o papai saiu escondido no meio da noite e você não brigou com ele. Então, quando a Dora for brincar no parque depois, você também não pode ficar brava, viu?
A garotinha era pequena, mas muito esperta.
Igual a Sérgio, falava sempre com segundas intenções.
Júlia não pôde deixar de revirar os olhos para Sérgio.
— E o que eu tenho a ver com isso?
Dona Eunice, vendo que Dora e Sérgio eram a cara um do outro, riu com gosto.

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