Júlia olhou para a poça de sangue no chão, sentindo-se completamente atordoada.
Seguindo as instruções médicas, ela colocou Sérgio na posição de decúbito lateral e apoiou a cabeça dele com as almofadas do sofá.
Tudo movido pelo pensamento fixo de que aquele incidente não poderia assustar a criança.
Ela ligou para Tatiana Torres, pedindo que fizesse companhia a Dora temporariamente e, ao amanhecer, a levasse para a casa da velha senhora na mansão antiga.
Até mesmo quando já estava sentada na ambulância, as pontas dos dedos de Júlia continuavam tremendo.
Os hospitais particulares eram pouco movimentados.
Naquela hora da madrugada, o corredor tinha apenas a luz branca ofuscante e o eco das macas rolando.
Júlia estava sentada na área de espera e, assim que viu o Dr. Mendes, correu ao seu encontro.
— Dr. Mendes, o Sérgio...
— Senhora, não entre em pânico, eu tenho algum conhecimento sobre a condição do Diretor Santana.
As enfermeiras ao lado informavam a pressão arterial, a frequência cardíaca, a oxigenação do sangue e outros dados.
O Dr. Mendes saiu apressado, e Júlia só pôde ficar ali esperando.
Ela se curvou, apoiando a testa com as duas mãos.
Tatiana mandou uma mensagem.
[Tati: Dona Júlia, já cheguei ao apartamento. A Dora continua dormindo. Eu limpei o quarto, pode ficar tranquila.]
Júlia suspirou silenciosamente e respondeu com um "Obrigada".
[Tati: Sem problemas. Afinal, estou de férias remuneradas há mais de três meses. Cuide das suas coisas, Dona Júlia.]
Dessa vez ela não respondeu.
Apenas fixou o olhar no letreiro luminoso da sala de cirurgia, incapaz de desviar os olhos por um longo tempo.
Dentro da sala de cirurgia.
O gastroenterologista foi o primeiro a realizar o estancamento do sangramento em Sérgio.
— Diretor Mendes, dê uma olhada nestes valores. Notei algumas anormalidades. É muito estranho.
O Dr. Mendes encarou a tela.
O gastroenterologista disse:
— O Marcador Tumoral CA724 está elevado isoladamente. Isso, de fato, pode ser causado por um tumor.
— Mas veja bem, o Diretor Santana não tem obstrução alimentar, e as lesões hemorrágicas na endoscopia mostram congestão e edema severos. O ideal é... aguardarmos o resultado da biópsia.
Quando Sérgio foi levado de volta ao quarto, Júlia já o aguardava.
Ao ver Sérgio com o respirador e os olhos fechados, sentiu um inexplicável nó na garganta.
E também sentiu culpa.
Agora parecia que, na verdade, era ele quem estava gravemente doente.
Pacientes com soro temem que a agulha se solte ao virarem na cama à noite, sem contar a necessidade de ajustar constantemente o fluxo.
E foi assim que Júlia adormeceu aturdida, debruçada na beira da cama.
Talvez por pensar demais durante o dia, os sonhos vieram à noite.
Júlia sonhou com uma fazenda de rosas.
Ela se lembrava, aquela era a vinícola em que Sérgio havia investido.
Em um aniversário da velha senhora, a família inteira tinha ido até lá.
As rosas de inverno eram delicadas, ficavam na estufa de vidro e, após desabrocharem, não havia quem as admirasse.
Júlia comentou com Sérgio que gostaria de comprar algumas para levar para casa.
Sérgio lançara um olhar gélido:
— Elas florescem porque florescem, você não vai morrer se não comprar.
Na realidade, Júlia queria apenas receber um buquê de flores dele.
Ela tentou argumentar em voz baixa:
— O pessoal da vinícola trabalha tanto, e as flores se esforçam tanto para abrir. Não é uma pena?

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