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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 449

Dora estava bem na idade de adorar tomar sorvete e bebidas geladas.

E acreditava que tudo que era gelado era mais gostoso.

Júlia deu um peteleco suave na testa dela.

— Hoje vamos ter que dormir no quarto de hóspedes do papai. Mamãe vai sair para comprar um remédio para ressaca e aproveitar para pegar as suas coisas de higiene.

— Tá booom~

A localização desse apartamento não era como a da velha mansão, ficava bem no centro da cidade, com uma farmácia 24 horas bem na esquina.

Depois de comprar o remédio, Júlia voltou para o seu próprio apartamento e pegou a escova de dentes da Dora, o sabonete facial infantil e o livrinho de histórias.

E também o seu pendrive.

Do outro lado.

Assim que Júlia saiu, Sérgio se sentou na cama.

Os incessantes compromissos sociais dos últimos dias vinham desgastando a capacidade de resistência do seu estômago.

Uma onda aguda de náusea subiu-lhe diretamente pela garganta.

Ele praticamente cambaleou e empurrou a porta do banheiro.

Agarrado à beirada do vaso sanitário, as costas encurvaram-se no arco de um camarão cozido.

Quando se está sofrendo, todos os nervos se voltam para combater as dores do corpo, então ele não ouviu o "plec-plec" das pantufas da filha correndo para dentro.

Sérgio mantinha a cabeça baixa, os cabelos soltos da franja grudados na pele úmida.

Suas mãos, da mesma cor da porcelana branca, tremiam levemente e escorregavam.

— Papai, você está se sentindo mal?

— A Dora dá um tapinha nas suas costas.

Sérgio começou a tossir com espasmos violentos.

Após alguns acessos, o gosto de ferrugem inundou sua garganta.

Uma grande mancha de sangue vivo misturado com vinho tinto jorrou no vaso sanitário.

Ele ficou de joelhos, debilitado, arfando pesado.

— Papai!

— Buááá! Papai, você consegue me ouvir?

A consciência de Sérgio retornou aos poucos.

Foi então que ele viu a filha, que havia sido suavemente empurrada, sentada no chão limpando as lágrimas.

— Não chore.

Em pânico, Sérgio puxou um pouco de papel higiênico, limpou o canto da boca e rapidamente deu descarga.

— Vem cá, me dá um abraço.

Ele estendeu as mãos e a abraçou apertado.

Dora soluçou baixinho.

— Mas a mamãe disse que crianças não devem mentir.

Fez uma pausa e emendou:

— E os adultos também não.

Sérgio pensou por um momento.

— Contar à mamãe vai deixá-la preocupada. Lembra de quando o papai chegava em casa bebido e a mamãe não conseguia dormir direito?

— Isso não, viu?

Dora murmurou:

— Mamãe sempre dormia muito bem.

Ao ouvir isso, Sérgio sentiu uma pontada inexplicável no coração.

Quem diria que a pequenininha ia continuar:

— Porque a mamãe diz que quem não dorme pega a doença da tristeza, e então dorme menos ainda e fica mais triste. Tinha que tomar um monte de remédios todos os dias.

Dora fez com as mãos um círculo do tamanho de três melancias.

Se Sérgio não estivesse segurando suas pernas com firmeza, ela teria rolado para o chão sozinha.

Porém, Sérgio havia entendido perfeitamente.

Júlia estava falando de depressão.

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