Júlia também os viu.
Eram as Alianças de Casamento deles, os mesmos anéis de noivado do passado.
Os anéis que Júlia acreditava que usaria pelo resto da vida, mas que acabou tirando no meio do caminho.
Ela ficou em silêncio, encarando os aros de platina.
Com uma amargura no peito.
Éder inclinou a cabeça para cumprimentá-la:
— Senhora Santana, o que devemos fazer com as alianças?
Numa noite escura e fria como essa, iriam remover a tampa do bueiro?
Sérgio já estava com as duas mãos enfiadas nas frestas, cerrando os dentes e fazendo força para erguer a tampa.
Dora bateu no peito com lealdade:
— Papai, eu te ajudo.
Júlia ficou sem palavras diante da dupla de pai e filha.
— Esqueça, não vai a lugar nenhum se ficar aí. Amanhã cedo eu ligo para a administração.
Ela fez uma pausa após falar.
— De qualquer forma, é só um souvenir inútil mesmo.
Éder ajudou a levá-los de volta para casa.
No elevador, vendo que Sérgio mal se aguentava em pé, Júlia não resistiu a perguntar:
— Que tipo de parceiro comercial exige que o seu Diretor Santana vá para o campo de batalha beber pessoalmente?
Éder respondeu:
— São todos do alto escalão: Secretaria de Regulação, do conselho estadual de ativos, esse tipo de gente.
Júlia assentiu.
Éder decidiu aproveitar a oportunidade.
— Senhora Santana, pode me ajudar? Eu não sei a senha do apartamento do Diretor Santana.
— E... do jeito que ele bebeu, é provável que passe mal à noite.
Júlia olhou para eles.
Ela percebeu que o olhar de Sérgio havia ficado claro e, ao vê-la, ele abriu um sorriso ingênuo, beirando o bobo.
Ela soltou um suspiro.
— Venham comigo.
Dora levantou as mãozinhas:
— Eu também estou aqui, Tio Éder, eu também posso ajudar!
Assim que caiu na cama, Sérgio fechou os olhos, apagando completamente.
O longo dia de trabalho de Éder havia terminado.
Júlia, no entanto, sentiu que o seu apenas começara.
Mas, assim que tirou a roupa, Júlia ficou atônita.
Como Sérgio havia emagrecido tanto?
A família Santana sempre pregou uma educação de elite.
Para aguentar a carga extenuante de trabalho, não importava o quão ocupado estivesse, Sérgio nunca deixou de malhar, tendo aquele tipo de corpo que parecia magro com roupas, mas era musculoso por baixo.
Mas agora...
Júlia podia ver claramente as costelas projetadas no peito dele.
Jogado na cama de qualquer jeito, mesmo após ter bebido, seus lábios mal tinham qualquer traço de cor.
O peito subia e descia levemente.
Havia nele uma surpreendente sensação de fragilidade.
— Mamãe, já terminou? Eu vou entrar, hein~
Júlia voltou a si e rapidamente abotoou o pijama de Sérgio.
— Pode entrar.
Dora ergueu uma garrafa de vidro de água mineral como se exibisse um grande tesouro.
— Fiz água com mel para o papai, bem reluzente.
— Criança, água com mel se faz com água morna. Olha aqui, ficou tudo no fundo.
— Eu pensei que água fria ajudava a baixar a temperatura, é mais gostoso.

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