Éder acompanhava Sérgio há muito tempo.
Mas toda vez que saíam para negociar algo, ele continuava aprendendo coisas novas.
Hoje, no entanto, ele não estava no clima de memorizar nada; apenas viu que, após a saída do convidado, a mão de Sérgio pousada sobre a mesa cerrou-se com força.
Sua postura curvou-se, e ele parecia estar bastante desconfortável.
— Diretor Santana...
— Não é nada, vá buscar meu paletó.
Sérgio pressionou o abdômen com a mão.
As roupas de Sérgio nunca eram cuidadas por terceiros.
Quando Éder retornou, compôs sua expressão e sorriu para Sérgio.
— Os recursos de moda e as plataformas são os dois setores de maior ajuda para a Senhora Santana. Quando ela souber, certamente ficará muito feliz.
— Não a deixe saber por enquanto.
Sérgio manteve a postura que lhe proporcionava algum alívio da dor.
De repente, a porta se abriu, revelando uma pequena cabecinha de cabelos macios.
— Papai!
— Dora?
Dora deslizou para dentro, sorrindo docemente:
— Acabei de ver que seu convidado já foi embora.
— Eu, a mamãe, a Elena e a professora Rosa estamos comendo aqui ao lado.
Ela fez uma concha com a mão em formato de alto-falante e sussurrou:
— Eu saí de fininho com a desculpa de ir ao banheiro, nós já estamos quase terminando de comer.
Sérgio não pôde evitar um sorriso.
— Boa menina.
Dora deu uma olhada para fora e saiu correndo.
— A senhorita Dora é realmente adorável.
Éder não pôde deixar de elogiá-la.
Principalmente por ainda sentir calafrios após presenciar as manobras absurdas da família de Clarice Cardoso.
— Hum.
O rosto de Sérgio transbordava orgulho.
— Minha filha é tão maravilhosa quanto a mãe.
— O senhor deveria dizer isso à Senhora Santana.
Sérgio baixou a cabeça, exibindo um sorriso amargo:
Um par de sapatos de salto alto, igualmente adornado com pequenos diamantes, aproximou-se.
O olhar de Sérgio subiu ao longo de uma saia branca.
A pessoa que se aproximava tinha traços impressionantes e marcantes, uma beleza vibrante que, acompanhada por uma expressão indiferente, criava uma aura fria e contraditória.
Quem mais poderia ser senão Júlia?
Ela usava uma blusa preta com um corte sofisticado. A gola redonda era ajustada por grandes pérolas entrelaçadas, e o tecido macio tinha um caimento elegante e, ao mesmo tempo, despojado.
Não se podia culpar Júlia pela pergunta.
É que a cena de Sérgio agachado ao lado do bueiro, esfregando os olhos, era simplesmente bizarra demais.
— Eu...
Entorpecido pelo álcool, Sérgio reagiu com atraso:
— Eu perdi uma coisa.
Dora soltou a mão da mãe, correu até lá e arregaçou as mangas:
— Papai, o que você perdeu? Eu te ajudo a procurar!
Ela vasculhou cuidadosamente de vários ângulos e finalmente os avistou em meio a folhas caídas e detritos.
— Nossa, que anéis lindos!
— Papai, é um presente que você comprou para a mamãe?

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