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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 436

O Dr. Mendes era, por assim dizer, um parceiro de longa data da família Santana.

Quando os pais de Sérgio faleceram, fora ele quem auxiliou a emitir as certidões de óbito.

E quando o avô da família esteve gravemente doente, também permaneceu ao lado dele.

Passou por poucas e boas com os Santana, e presenciou desde o casamento do jovem casal até os dias atuais.

No passado, Sérgio se preocupava unicamente consigo mesmo e com a empresa. É inegável que ele negligenciara a família.

Mas, desde que Júlia divorciara-se e partira, Sérgio parecia ter se transformado em outra pessoa.

O Dr. Mendes tirou o estetoscópio.

— Senhora, compreendo que, devido ao que ocorreu no passado, a senhora ainda guarde ressentimentos contra o Diretor Santana, em especial pelo episódio na Mansão da Encosta.

— Mas, devo ser justo. Aquele homem pode ter o semblante de um demônio impiedoso, mas não tem o coração ruim.

— O que ocorreu foi que ele não conseguia perdoar seu caso com o senhor Franco, e por isso mentiu que ia interromper a sua gravidez. Contudo, em particular, ele me dizia que pretendia manter a gestação. A injeção que administrei naquela época não era abortiva, e sim vitaminas.

Júlia, ponderando a idade avançada do Dr. Mendes, não quis retrucar, além de ser algo que ficara no passado.

Pelo menos, até ouvir a palavra “caso” vindo dele.

— Dr. Mendes, suponho que saiba do ditado de se julgar as pessoas pelas ações, não pelos sentimentos. Devo tentar compreender o que ele fez apenas porque, em essência, diz ser um 'homem de coração bom' e que 'as coisas não eram tão simples'?

— Mas o Diretor Santana não hesitou em se colocar na frente do carro pela senhora, no final.

O Dr. Mendes não tinha a intenção de fazer nenhum tipo de chantagem emocional.

Mas sabia da frágil condição física de Sérgio, e não pôde deixar de ficar aflito.

— Entre duas pessoas que se relacionam, o sofrimento físico dói tanto quanto o emocional. Dá pra calcular perfeitamente esse tipo de ferida?

— Sem mencionar a pequena Dora; percebo que ela se afeiçoou bastante ao Diretor Santana como pai.

O semblante de Júlia travou por uma fração de segundo.

O Dr. Mendes soltou um longo suspiro, com um sentido mais profundo: — A vida nos proporciona não mais do que poucas décadas, mas nós passamos tanto tempo esperando para tentar nos redimir tarde demais, quando nos arrependemos.

A solução fisiológica estava instalada.

O Dr. Mendes reduziu o ritmo do soro até a última velocidade. Logo após prescrever os analgésicos e dar algumas recomendações breves, retirou-se.

Sérgio adormeceu, os olhos cerra-se sem acordar.

Dora, abusando das férias de inverno longe da creche, se manteve acordada sem limite de horário.

Até o toque na palma da mão dele parecia um bocado doloroso.

Em certo ponto, Sérgio chegou a acordar de novo.

Talvez entorpecido, o máximo que pôde dizer foi: — Estou bem.

Apertando a mão dela de leve após um tempo.

O coração de Júlia travou num nó difícil de explicar.

Ao lembrar-se das palavras do Dr. Mendes, as lágrimas encheram-lhe os olhos.

A claridade noturna era quase sempre capaz de abrandar o sentimento das pessoas.

Mas ao raiar do dia, parecia ser brutalmente tirada do sonho de volta à dura realidade.

Ela não se olvidara de ligar para o órgão notarial.

— Bom dia. Entreguei a papelada para o Acordo de Custódia; os últimos quatro números do processo são 0972. Gostaria de saber quando a certidão irá sair.

O escrevente digitou no teclado.

— Perdão, senhora, me deixe atualizá-la sobre os andamentos.

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