Um aroma muito suave de cedro e tabaco a atingiu.
Tão familiar que parecia fundido ao seu próprio sangue.
A mão de Alícia, que pressionava o botão do andar, congelou. Quase sem tempo de reação, ela saiu apressada do elevador.
Mas a mão de Kylen, no segundo seguinte, prendeu firmemente o pulso dela.
— Aonde pensa que vai? — Sua voz soava rouca e grave.
O rosto de Alícia estava frio e severo.
— O que mais você quer fazer? Se veio assinar o acordo de divórcio, não tenho nada a dizer. Se for por qualquer outro motivo, por favor, saia daqui!
No entanto, Kylen não tinha a menor intenção de soltá-la. Ele puxou Alícia de volta para o elevador e pressionou o botão do andar onde ela morava.
As portas do elevador se fecharam. Alícia lutou para se soltar, e como Kylen não exerceu mais força para segurá-la, ela conseguiu se libertar com um puxão forte, recuando rapidamente até encostar na parede da cabine.
Eram pouco mais de dez andares, uma altura que Alícia nunca considerou excessiva.
Mas agora, parecia que o tempo se dilatava a cada andar que passava.
Parecia que nunca chegariam ao andar dela.
O elevador chegaria em um instante, e Kylen certamente sairia atrás dela.
Narciso havia deixado seguranças para ela antes de voltar ao set de filmagem, justamente para evitar que Kylen a procurasse novamente. Ela não sabia como Kylen conseguira evitar os olhos dos seguranças e entrar no prédio.
Alícia pegou o celular imediatamente, encontrou o número do segurança e ligou.
Antes mesmo que ela pudesse falar, a voz calma do segurança soou do outro lado:
— Sra. Serra, Kylen trouxe muita gente. Vamos resolver isso o mais rápido possível.
Era exatamente como ela esperava.
Alícia tentou manter a voz o mais calma possível:
— Tenham cuidado.
Ao desligar, Alícia apertou o celular com força.
Kylen vislumbrou o histórico de chamadas na tela, o nome "Julian" aparecia em segundo lugar. Ele soltou um riso frio e imperceptível, tirou os óculos e guardou-os casualmente no bolso do sobretudo.
No instante em que a porta do elevador se abriu, Alícia não saiu. Ela pressionou o botão do térreo, fazendo o elevador voltar para baixo.
Enquanto estivesse dentro do elevador, sob a cobertura das câmeras de segurança, Kylen não ousaria fazer nada contra ela.
Ela endureceu o coração, desviou o olhar para não vê-lo, saiu do elevador e fechou a porta na cara dele.
A porta se fechou lentamente, ocultando o perfil furioso de Alícia.
Kylen encostou-se na parede do elevador para recuperar o fôlego. Pensando em algo, o canto de sua boca se curvou levemente.
Ao chegar à porta de casa, Alícia ia guardar o celular na bolsa quando percebeu que não estava com ela.
Depois do jantar, ela tinha ido ao banheiro e, ao voltar, Julian segurou a bolsa para ela. Quando saíram do restaurante, ele esqueceu de devolvê-la.
Seu crachá de trabalho estava lá dentro.
Enquanto destravava a porta, Alícia abriu a lista de contatos para ligar para Julian.
Passos extremamente leves soaram atrás dela. A mão de Alícia, que estava no leitor de impressão digital, recuou bruscamente. Ela disse friamente:
— Kylen, eu e você já...
De repente, uma mão usando uma luva preta surgiu por trás dela, e um lenço branco cobriu com força sua boca e nariz.
Um cheiro químico pungente invadiu suas narinas, e Alícia perdeu a consciência instantaneamente.

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