— Agora, por favor, sumam daqui imediatamente!
Alícia virou-se e puxou Narciso para dentro do prédio.
Com um sinal de olhar de Narciso, os seguranças ao redor surgiram instantaneamente, bloqueando a entrada. Nem com superpoderes os homens de Kylen entrariam ali!
Dentro do elevador, Narciso ficou de costas para Alícia. Ela era orgulhosa e não gostava que a vissem chorar.
Ele estendeu silenciosamente uma das mãos.
— Não trouxe lenço.
Dizendo isso, arregaçou a manga gelada do casaco, revelando a manga da blusa de lã por baixo, e a esticou para ela.
Eram mais de dez andares, até chegarem lá em cima, ela choraria horrores.
Alícia não usou a manga dele. Depois de um tempo, passou a mão no rosto de qualquer jeito e disse calmamente:
— Estou bem.
Ao chegar em casa, Alícia trancou-se no quarto. Narciso sentou-se no sofá da sala.
Pouco depois, a campainha tocou. Narciso foi abrir, era seu assistente, segurando uma sacola da farmácia.
— Narciso, a Alícia me ligou pedindo para comprar. Disse para passar os remédios em você.
Narciso segurou a maçaneta e olhou para a porta fechada do quarto.
— E o Kylen?
— Foi embora. — respondeu o assistente.
Narciso riu friamente.
O assistente entrou.
— Preciso tratar esses ferimentos no seu rosto logo, senão não saberei como explicar amanhã no set de filmagem.
Narciso pensou que, com Alícia naquele estado, como ele poderia ter paz para filmar?
O assistente foi embora depois de cuidar dos machucados de Narciso.
Narciso ficou no sofá de olhos fechados, sem dormir a noite toda.
Ao amanhecer, ouviu a porta abrir atrás dele. Levantou-se imediatamente, virou-se e aproximou-se, observando o rosto de Alícia. Como ela tinha passado uma maquiagem leve, não dava para ver sua palidez.
Assim que uma amargura surgiu no peito, Alícia engoliu a comida mal mastigada à força, empurrando as emoções para baixo.
Ela engoliu e disse, com o tom de sempre:
— Narciso, volte para as filmagens. Pode ficar tranquilo, não vou deixar que me prejudiquem mais.
A névoa da manhã se dissipava.
Alícia saiu do condomínio dirigindo em direção à emissora de TV.
Um carro parado na esquina da rua, do lado de fora do condomínio, subiu o vidro. Um fio de fumaça escapou pela fresta antes de fechar totalmente.
O celular jogado no banco do carona não parava de tocar.
Kylen, com os olhos raiados de sangue, olhou para o identificador de chamadas.
Atendeu a ligação.
Julian perguntou com seriedade:
— Onde você está? A Yolanda disse que você machucou as costas e se recusa a tratar. Vá para o hospital agora!

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