Quando Narciso voltou, Alícia já não estava vomitando.
Hera, que havia chegado alguns minutos antes, estava limpando o rosto de Alícia. O Sr. Batista estava ao lado, com os olhos vermelhos, cabisbaixo, limpando a sujeira do chão em silêncio.
Narciso aproximou-se imediatamente, sentou-se na beirada da cama e apoiou Alícia, deixando-a recostar-se em seu ombro.
Como nos tempos do jardim de infância, quando ela sentia sono após o lanche e eles se sentavam lado a lado. Ele sempre usava o ombro para apoiar a cabeça dela que tombava de sono.
Desde o jardim de infância até o ensino fundamental, até que ela pulou algumas séries...
Ele sempre cuidou dela dessa forma.
Com exceção dos dois ou três anos em que ela esteve com Kylen e sofreu todas as amarguras do amor, ele nunca suportara vê-la sofrer o menor dos desgostos.
Os lanches e as bebidas no escritório da emissora de televisão foram comprados por pessoas que ele contratou, e eram todos os preferidos dela.
Ele havia pago do próprio bolso um chef com estrela Michelin para trabalhar no refeitório da emissora.
Os veículos que eles usavam para as reportagens externas foram trocados por carros luxuosos, equipados com os interiores mais confortáveis, apenas para que ela se sentisse melhor.
— Não tenha medo, você deve ter comido rápido demais. Vamos descansar um pouco e tentar comer mais tarde. — Ao vê-la naquele estado, o coração de Narciso doeu a ponto de quase roubar-lhe a voz.
Alícia apoiou-se nele em silêncio, chorando sem emitir nenhum som.
As lágrimas caíram sobre as costas da mão de Narciso, tão quentes quanto magma ardente.
O silêncio reinou no quarto.
— O que realmente está acontecendo com ela?
Depois que Alícia descansou, Narciso questionou o psicólogo trazido pelo médico responsável.
Ao falar, ele só então percebeu o quanto sua voz tremia.
A situação de Alícia já não era apenas uma simples falta de apetite.
Ele tinha medo de perder Alícia.
— A Sra. Serra tem um histórico de insônia e já tomou bastantes soníferos. Combinando isso com a situação atual, é muito provável que seja depressão. — O psicólogo explicou.
A palavra depressão atingiu o coração de Narciso como um golpe pesado.
Ele ficou desnorteado por um momento, pensando ter ouvido errado.
— Depressão... Como isso é possível?
— Embora a Sra. Serra não esteja cooperando com a minha avaliação agora, não me enganaria no diagnóstico. — Porém, o psicólogo insistiu.
Depressão.
Aquela palavra parecia tão distante dele, e ainda mais de Alícia. Ela sempre fora ótima em lidar com os próprios sentimentos, e os problemas emocionais dela nunca foram motivo de preocupação para ele.

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