Enrique encostou-se à parede fria do banheiro, completamente encharcado, e observou com tranquilidade a silhueta curvilínea de Clara sob o chuveiro. Ele a observava lavar a espuma do corpo como se não houvesse mais ninguém ali.
Aquelas mãos finas e brancas deslizavam desde as saboneteiras até mais abaixo.
Enrique estreitou os olhos, soltou um riso frio e, sem hesitar, arrancou a camisa molhada do próprio corpo, jogando-a no chão.
— Como posso deixar você ter o trabalho de tomar banho sozinha?
— Como eu também preciso me lavar, vou ajudá-la.
— Se não quiser que doa muito, é melhor não se mexer. — O rosto frio da mulher finalmente demonstrou irritação. Ela se debateu com força, mas Enrique a virou em um movimento rápido e a prensou contra a parede, de costas para ele.
— Você me chama disso sem parar, não tem medo do castigo divino? — A mulher virou a cabeça e o fuzilou com os lindos olhos.
— Nós não temos laços de sangue, não haverá castigo. — Enrique mordiscou a orelha dela e murmurou com a voz rouca: — Tudo bem então, de agora em diante, não chamarei mais você assim, a não ser quando estivermos na cama.
Dito isso, ele não deu a ela a chance de responder. Aproveitando que ela tinha virado o rosto, segurou-lhe o queixo, inclinou-se e a beijou com ferocidade.
Depois de jogá-la na cama espaçosa, Enrique lembrou-se da última vez, quando Clara escondeu uma tesoura debaixo do travesseiro e quase cortou fora o instrumento do seu crime.
Desta vez, ele não se esqueceu de enfiar a mão sob o travesseiro. Como esperado, havia uma faca de frutas ali. Ele a puxou e a jogou direto no chão.
No momento em que a faca caiu, ele a tomou nos braços.
— Parece que você realmente quer me matar. Mas, além de morrer em cima de você, eu recuso qualquer outra forma de morte. — Ao ouvir a mulher, que sempre fora tão fria, soltar um grito involuntário, um traço de prazer surgiu nos olhos dele.
Já passava do meio-dia.
Enrique, após o banho, ficou de pé ao lado da cama com um cigarro apagado entre os lábios, com um olhar gélido.
Ele lançou um olhar para a mulher deitada de bruços na cama, que estava com os olhos vazios e o corpo já sem tremores.

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