Percebendo que a postura do outro indicava que ele estava disposto a resistir até o fim, a teimosia de Alícia aflorou. No entanto, ao ver a neve acumulada nos ombros dele, ela estalou a língua com impaciência.
O guarda-costas viu Alícia inclinar levemente a cabeça para mudar a marcha, em seguida, o carro recuou, parecendo que ia dar meia-volta para retornar à garagem.
Ele mal tinha soltado um suspiro de alívio.
De repente, os faróis cegantes acenderam-se com violência!
Ouviu-se um estrondo, o motor rugiu, e o sedã preto avançou como um leopardo caçando sua presa!
Por instinto, o guarda-costas recuou um passo, mas foi exatamente esse passo que deu a ela a brecha necessária.
Quando o carro passou por ele, através do vidro da janela, Alícia curvou os lábios e fez uma continência sarcástica para ele.
Garotinho, querendo brincar com ela?
Num piscar de olhos, o carro já tinha desaparecido ao longe.
O guarda-costas ficou sem reação.
De volta à Baía Azul Serena, Alícia olhou para o relógio, eram apenas três e vinte da manhã, faltava muito para o amanhecer.
Ela deitou-se na cama. Embora sentisse o corpo exausto, não conseguia adormecer depois de fechar os olhos.
Habitualmente, virou-se e abriu a gaveta, tateando o interior com a mão. Vazia.
Só então se lembrou de que os remédios para dormir tinham acabado na noite anterior.
Sem remédios para tomar, Alícia sentou-se no parapeito da janela, abraçando os joelhos, observando a neve cair lá fora. Só conseguiu fechar os olhos e descansar encostada na parede quando o dia estava quase clareando.
Nos dois dias seguintes, ela não recebeu resposta de Kylen.
Se Kylen insistisse em não assinar, ela teria que entrar com um processo judicial.
A consequência disso seria inevitavelmente o conhecimento público, o que afetaria não apenas ela e Kylen, mas todo o Grupo Financeiro Lourenço.
A Família Lourenço tinha sido bondosa com ela, a menos que fosse o último recurso, ela não desejava entrar em "guerra" com Kylen.
Dois dias depois, Alícia acompanhou o carro de reportagem até o local do acidente onde ocorrera a explosão naquela tarde.
As reportagens de acompanhamento precisavam dela.
Como uma fumaça leve, prestes a se dispersar a qualquer momento.
— Você me viu, por que se esquivou?
Alícia respondeu sem pressa: — Estou trabalhando, não viu?
Alcides ergueu uma sobrancelha. — Ah? Quer dizer que você separa o público do privado? O trabalho é público, eu sou privado?
As pessoas realmente riem quando estão sem palavras.
Alícia soltou um escárnio. — Não é à toa que suas notas em Literatura eram sempre vermelhas na escola. Com essa capacidade de interpretação, a situação é preocupante.
No entanto, ela estava curiosa para saber por que Alcides estaria ali. — Esta fábrica pertence à Família Lourenço?
— E não? — Alcides sorriu de forma significativa e disse como se fosse óbvio. — Por que você acha que o irmão mais velho apareceu aqui no dia do acidente?
Alícia apertou os lábios.
Não era à toa.

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