Lúcio, no entanto, pareceu ignorar o aviso e afastou a mão dele bruscamente.
Alícia encostou-se de lado na cabeceira da cama. Aquela postura deixava suas omoplatas particularmente salientes; ela havia emagrecido muito.
— Lúcio, obrigada por vir me ver. Volte, vá cuidar dos seus ferimentos.
[Nas suas condições, que moral você tem para me aconselhar?]
Lúcio digitou essa frase no celular.
O olhar de Alícia vacilou por um segundo.
Sim, ela estava certa. Que poder de persuasão ela tinha? Se nem sequer conseguia cuidar do próprio corpo, com que direito queria aconselhar os outros?
Alícia baixou os olhos e murmurou: — Eu só não consigo entender.
— Meu pai causou a morte dos pais dele, e ele levou os meus ao suicídio. Parece que as contas entre eles foram acertadas. Kylen vingou os próprios pais, mas e eu?
Hélder ficou perplexo e, de repente, sentiu um calafrio na espinha.
Ele só sabia que a Sra. Serra estava de mau humor, não fazia ideia de que a situação era daquelas!
Ele se sentia um inútil. E pensar que ainda tentava convencê-la a ceder a Kylen e depois procurar uma chance para fugir.
Pensando naquilo, Hélder teve vontade de se esmurrar. O pai da Sra. Serra podia ter causado a morte dos pais de Kylen, mas aquilo não tinha nada a ver com a Sra. Serra. No entanto, Kylen forçar a morte dos pais dela o transformava num verdadeiro assassino da sua família!
Como ela poderia se submeter a Kylen?!
Os ombros de Alícia tremiam. Sua voz contida falhava: — Perdi meus pais aos sete anos. Aos vinte, minha memória foi apagada, me fazendo esquecer que Kylen era o algoz da minha família. A única coisa que lembrei foi que o amava e estava determinada a casar com ele. Fui como uma marionete, controlada por outros a minha vida inteira.

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