— Irmão J? — Hélder exclamou, surpreso.
Ele andou apressadamente até o homem na porta. Pensou que fosse a enfermeira, mas não imaginava que seria o Irmão J.
Ao ver o Irmão J, ele sentiu uma enorme tranquilidade.
Do lado de fora, Lúcio Sequeira se apoiou nas muletas, ergueu a mão usando uma luva de compressão preta para abaixar a aba do boné, e seus olhos castanho-escuros se voltaram para Alícia, que estava sentada no canto da cama.
Ela usava um pijama de hospital folgado. Seu corpo parecia frágil, e o rosto estava pálido. Do lado de fora da janela, o vento movia nuvens carregadas; não seria exagero pensar que, se a janela fosse aberta, ela seria levada pela ventania.
Os dedos do homem, que seguravam a muleta, se apertaram com força.
— Tiraram o seu gesso?
A voz de Hélder fez o homem desviar o olhar, e ele assentiu levemente.
— Que bom que tiraram, — disse Hélder. — Isso mostra que a recuperação está indo bem. Melhore logo, Irmão J.
Seu brilhante e formidável Irmão J, com habilidades incríveis!
Se o Irmão J não estivesse ferido, na noite anterior com certeza teriam conseguido levar a Sra. Serra para fora da Cidade Linvar, para bem longe de Kylen.
No entanto, o Irmão J ainda cheirava a pomada medicinal. Pelo visto, ainda faltava um bom tempo para ele se recuperar totalmente.
Parecia que a ideia de pedir ao Irmão J para dar uma lição naquele brutamontes iria ter que esperar.
Lúcio entrou no quarto apoiado nas muletas. Sua figura imponente, mesmo machucada, não conseguia esconder uma presença intimidadora. Seu olhar passou rapidamente pela bandeja de comida intocada sobre a mesa.
Hélder seguiu o olhar dele e explicou em voz baixa: — A Sra. Serra não está de bom humor, não quer comer nada.
Ele não se atrevia a dizer que o estado de espírito da Sra. Serra agora era muito mais do que um simples mau humor; até Narciso estava de mãos atadas.

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