— Por que você forçou meus pais à morte? Me diga, Kylen, me diga!
— Eles eram as pessoas que eu mais amava, e foi você quem os matou!
O rosto do homem parecia ter sido desbotado pela chuva, completamente sem cor, exalando um frio cortante. Seus lábios finos se moveram.
— Tiveram o que mereciam.
As poucas palavras desprovidas de calor caíram como um raio em seu coração.
Ela recuou, cambaleante. Abriu a boca para dizer algo, mas as intensas oscilações emocionais a sufocavam, escurecendo sua visão. Apenas o broche de safira em seu peito brilhava com um resplendor radiante.
Era uma safira raríssima que Kylen havia arrematado em um leilão. Durante duas semanas, todos os dias, enquanto ela dormia, ele a polira e moldara meticulosamente à mão.
O patriarca do Grupo Lourenço, com seus milhares de afazeres diários, havia chegado a esse ponto por ela.
Um pedido de casamento no mar de flores. Que ironia absoluta!
A última quinzena parecia ter sido um sonho ilusório. O homem com quem ela ia se casar era, na verdade, o responsável por levar seus pais à morte.
Ela arrancou o broche e atirou-o no Lago Luna sem um pingo de hesitação. A chuva açoitava seu corpo que não parava de tremer.
— Como você foi capaz de agir como se nada tivesse acontecido?!
— Kylen, você é aterrorizante!
As memórias que ela havia esquecido começaram a girar em sua mente como um carrossel de horrores.
Cada imagem transbordava a dor de seu desespero. Aqueles gritos de partir o coração eram carregados pelo vento, soando como gemidos engasgados com sangue.
— Eu jamais me casaria com você, a menos que eu morra.
— Cada minuto do meu passado me faz arrepender de ter te conhecido. Eu nunca deveria ter conhecido você, nunca deveria ter te amado!
— Por que você não me leva à morte também?!
Dói tanto...

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