Ela abaixou a cabeça e enxugou os olhos com força, só então percebendo que a comida na mesa estava intocada.
— Você levou um bolo? — Ela ergueu os olhos bruscamente para encará-lo, dando-se conta de que ele não estava em um encontro. Os cantos de seus lábios ameaçaram formar um sorriso enquanto ela prendia a respiração, aguardando a resposta.
Kylen abaixou o olhar para os olhos vermelhos dela, que brilhavam como estrelas. Parecia haver um incêndio dentro dos olhos dele, como se algo estivesse sendo reduzido a cinzas. Suas pupilas se contraíram, e nas profundezas de suas íris escuras acumulava-se uma sombra de obsessão.
Ele a puxou bruscamente para seus braços.
Através da roupa, as mãos grandes e firmes dele queimavam contra as costas dela. A voz rouca escapou junto com o movimento de seu pomo de adão: — Não mude de assunto tão rápido. Repita o que você acabou de dizer.
As chamas intensas no fundo daqueles olhos escuros fizeram a alma dela estremecer, e sua mente pareceu explodir como fogos de artifício.
Ela ouviu as vozes dos dois ecoarem pelo restaurante vazio:
— Kylen, vamos ficar juntos, sim?
— Alícia, vamos ficar juntos.
— Plim.
Uma pedra caiu na água, criando pequenas ondulações. As figuras dela e de Kylen balançaram com as ondas e desapareceram.
Às margens do lago em formato de meia-lua, o vento levantava seus cabelos, bloqueando sua visão. Ela se abaixou para colher uma pequena flor azul-arroxeada, com um caule verde e flexível, na intenção de prender os cabelos para trás.
Mas foi Kylen quem pegou a flor. Envolvendo-a em seus braços, as mesmas mãos acostumadas a empunhar armas e canetas seguraram os longos cabelos dela, em um movimento levemente desajeitado.
— É assim que se prende?
— Você é muito desajeitado. Seu castigo será arrumar meu cabelo todos os dias.
As mãos grandes seguraram o rosto dela. Ele disse algo com um sorriso que a fez corar de pura indignação, atirando-se sobre ele no meio das flores para mordê-lo.
— Você é um cachorrinho? — A mão de Kylen apertou suavemente o queixo dela. O olhar dele estava cheio de riso enquanto beijava seus lábios.
Um trecho das flores foi esmagado sob eles, e ambos ficaram cobertos de pétalas.
Sob o luar, a brisa suave acariciava o mar de flores. Os dedos quentes dele roçaram levemente seu rosto.
— Alícia.
— Tem coragem de se casar comigo?

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