Kylen pegou a arma que havia caído no chão.
Ensopada pela chuva, não guardava o menor resquício de calor humano.
Os nós dos dedos de Kylen empalideceram e tremeram de tensão.
Com apenas um olhar, ele reconheceu a arma que havia entregado a Alícia.
Fora com ela que Alícia lhe dera cobertura instantes atrás. Seus tiros haviam sido rápidos, precisos e letais, habilidades que ele próprio havia ensinado sob o disfarce de Lúcio.
Qualquer um com olhos atentos perceberia que ela estava protegendo-o.
Embora ele pudesse lidar com aqueles homens facilmente, no instante em que Alícia puxou o gatilho, algo explodiu loucamente dentro de seu peito.
Tanto que ele não via a hora de encontrá-la, de dar-lhe uma "lição" e perguntar se ela tinha noção do quanto aquilo era perigoso!
Mas agora ela havia desaparecido.
— Alícia...
A respiração travou no fundo de sua garganta, e um vermelho sombrio e injetado tomou conta dos olhos de Kylen rapidamente.
— Diretor Lourenço!
Além dos homens que seguiram Vinicius, três seguranças permaneceram ao lado de Kylen.
Eles também reconheceram a arma que o chefe apertava na mão; não era preciso adivinhar a quem ele confiaria algo tão importante.
Suas expressões fecharam-se instantaneamente, e eles se dispersaram para procurar o rastro de Alícia.
Kylen ergueu os olhos e, com seu olhar escuro como um abismo, varreu a mata de capim alto à sua frente.
A intensidade do aguaceiro estava diminuindo. A água respingava na relva selvagem num ritmo intermitente, e uma névoa branca começou a cobrir a floresta.
O mato sob seus pés fora esmagado, mas não havia marcas de arrasto nem sinais de luta.
— Ela não foi levada à força.
A mão que segurava a pistola cerrou-se lentamente, e uma fina camada de gelo pareceu se formar sobre seu rosto austero.
Três minutos antes.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!