Alícia soltou um grito abafado de dor quando o homem mordeu seu lábio, ferindo-o. Kylen afastou-se lentamente, e seus olhos, sem a barreira das lentes dos óculos, transbordavam uma agressividade predatória.
Ele ergueu o polegar para limpar o vestígio de sangue no lábio dela. A mão que segurava sua nuca apertou mais, enquanto seus lábios roçavam o lóbulo da orelha dela, sussurrando um aviso cruel:
— Alícia, não teste os meus limites.
Alícia tremia de raiva, sua voz saindo rouca e seca:
— Você também não teste os meus. Estou disposta a ir até o fim, custe o que custar. Eu só tenho uma vida, Kylen, e estou pronta para jogar.
— Quer tanto assim morrer? — Kylen a encarou com seus olhos negros e profundos.
— Você pode tentar para ver. — Alícia sustentou o olhar frio e cortante dele sem piscar.
Kylen pareceu não dar a mínima para a ameaça.
A mão em sua cintura apertou, controlando-a com facilidade, enquanto a outra afastava o cabelo do rosto dela, revelando uma face corada, mas coberta de fuligem.
— Está imunda.
— Me solta!
No entanto, Kylen não a soltou. Em vez disso, ordenou:
— Vamos, volte para o Jardim Sombrio.
O carro arrancou.
Alícia foi novamente aprisionada nos braços de Kylen. No instante em que abriu a boca para xingar, ele baixou a cabeça e a beijou outra vez.
Só pararam quando o veículo entrou no Jardim Sombrio. Kylen tirou Alícia do carro no colo.
Dona Maisa, ao ver a cena, abriu um sorriso radiante.
Ela sabia que a patroa tinha saído de casa por causa de uma briga com o Sr. Lourenço. Pelo visto, ele já tinha conseguido reconquistá-la.
Que maravilha!
— Sr. Lourenço, senhora, já jantaram? Se não, vou preparar algo agora mesmo.
Alícia jogou a toalha na frente dele. Sem a fuligem, seu rosto recuperara a beleza natural.
— Você não sabe nada sobre mim, por isso ainda não percebeu que eu já me mudei daqui. Não quero mais nada desta casa. — Ela o encarou com teimosia, os braços rígidos ao lado do corpo.
Kylen olhou para os lábios dela, levemente inchados, e jogou a toalha no lixo.
— É mesmo?
Nesse momento, a voz de Vinicius soou do lado de fora do quarto.
— Diretor Lourenço, a mala da senhora foi recuperada.
A expressão de Alícia mudou. Ela empurrou Kylen e correu para fora do banheiro.
Na porta do quarto, Vinicius segurava uma mala preta — exatamente a mesma que ela levara na noite em que saiu do Jardim Sombrio!
Alícia virou-se furiosa, encontrando o olhar insondável de Kylen.
— Kylen, o que diabos você quer?!

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