Precisavam se apressar.
— Sra. Serra, nosso tempo é curto. Termine isso o mais rápido possível, ou então terá o desprazer de sujar as próprias calças — gritou o capanga ao lado de Gustavo na direção das pedras.
Alícia o ignorou completamente e continuou andando para se abrigar atrás do rochedo.
Os homens viram quando ela sumiu atrás da grande pedra. Abaixada, apenas a ponta de sua roupa era visível. O pico da montanha estava envolto por uma neblina rala que, fundindo-se com a escuridão da noite, tingiu o tecido com uma silhueta totalmente negra.
De vez em quando, o canto esporádico dos pássaros ecoava pelo bosque.
A noite tornava-se cada vez mais opressiva, e nenhuma estrela brilhava no céu.
De repente, as primeiras gotas de chuva começaram a cair.
Gustavo estendeu a mão, e a água gelada bateu em sua palma. Logo, um som tamborilante preencheu a trilha de cascalho; a chuva ganhava volume, tornando-se gradativamente mais intensa.
Longe das vistas deles, Alícia já havia escorregado pela encosta atrás do rochedo. Seus movimentos eram precisos, não restando qualquer traço da patricinha frágil e mimada que mal conseguia dar um passo à frente dos sequestradores.
Toda aquela agilidade era mérito dos treinamentos intensos que Lúcio havia lhe passado tempos atrás.
Pensar em Lúcio a fez lembrar do significado oculto em seu nome, que simbolizava resgatar.
Mas não era hora para devaneios. Alícia afastou todos os pensamentos dispersos e focou inteiramente no terreno sob seus pés.
A chuva apertou. Ela podia ouvir, no declive acima, os gritos dos homens de Gustavo apressando-a. Havia deixado uma rocha redonda estrategicamente posicionada atrás do rochedo maior, para enganá-los, fazendo-os acreditar que ainda estava lá agachada fazendo suas necessidades.
Aquela ilusão de ótica não se sustentaria por muito tempo, ainda mais com a impaciência deles; a farsa logo seria descoberta.
Felizmente, parecia que até os céus estavam a seu favor. Embora gelada, o barulho incessante da chuva abafava o som de seus movimentos na descida.
Ela se lembrava de que o túmulo de Liana ficava por ali. Tanto Liana quanto o namorado eram órfãos, sem familiares vivos. Após aquela explosão, a área ao redor do sepulcro havia se transformado em pura ruína.
De um lado, havia um penhasco mortal; do outro, a trilha íngreme bloqueada por destroços; e, na outra ponta, a floresta escura.
Sua única rota viável de fuga era adentrar a mata densa!



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