— Sra. Arantes, eu sou a pessoa que veio para resgatá-la.
Yolanda olhou para o guarda-costas já sem vida e, em choque, ergueu o olhar para o espelho retrovisor interno. Seus olhos se cruzaram com os do homem que dirigia. Era um rosto idêntico ao de Vinicius.
Ela perguntou de forma hesitante:
— Você não é o Vinicius?
— Eu sou o irmão gêmeo dele.
Yolanda ficou estupefata.
...
No terreno vazio em frente à casa vermelha nos arredores da cidade.
Ao ver a reação de Alícia, Gustavo abriu um sorriso sutil e extremamente afável:
— Pelo visto, a Sra. Serra ainda se lembra de mim.
Com uma expressão de cautela, Alícia observou a movimentação ao seu redor. Estava totalmente cercada pelos capangas de Gustavo.
Ela não fazia ideia de como Gustavo havia conseguido trazer tantas pessoas para dentro de Cidade Linvar. Além disso, todos estavam armados. Era possível infiltrar homens, mas as armas e munições jamais passariam pelos postos de fiscalização sem serem detectadas.
A menos que ele tivesse informantes dentro de Cidade Linvar.
Alcides estava trancado em um centro de detenção. Quem mais poderia ser?
Contudo, diante da situação atual, era bem provável que esse mistério tivesse relação com a forma bizarra pela qual ela fora parar naquele lugar.
Antes que pudesse destrinchar mais os pensamentos em sua mente, Gustavo balançou a cabeça e disse em tom brando:
— Não, na verdade, eu deveria chamá-la de Sra. Lourenço. Seria muita falta de educação da minha parte se não o fizesse.
Aquele homem, que passava o ano todo na fronteira matando a sangue-frio e destruindo a vida de inocentes, agora se disfarçava sob a fachada de um cavalheiro polido e distinto.
Que cena ridícula!
Suprimindo a fúria que fervia dentro do peito, Alícia respondeu com uma calma inabalável:
— O Sr. Soares é muito gentil, mas Kylen e eu não somos casados. Eu ficaria mais feliz se o senhor continuasse me chamando de Sra. Serra.
O olhar de Gustavo endureceu por um instante.


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