Conforme os garçons traziam os pratos, Alícia notou que Eder havia pedido apenas as comidas que ela mais gostava.
Eder não era apenas seu orientador do mestrado. Nos tempos do ensino fundamental, quando se tornou amiga de Yolanda Arantes, Miguel Arantes não gostava de Yolanda. Por isso, muitas vezes aos finais de semana, Yolanda ia para a casa de Eder e frequentemente convidava Alícia para acompanhá-la.
Desde aquela época, Eder sempre a tratara muito bem. Às vezes, Alícia até sentia que ele era mais carinhoso com ela do que com a própria Yolanda.
Ele costumava dizer que olhar para ela era como ver a mãe dela, sua antiga colega de classe.
Por conta disso, mesmo quando sua amizade com Yolanda ruiu, Eder não tomou partido e continuou tratando-a com o mesmo carinho de sempre.
— O senhor não tem dormido bem? Parece meio abatido. — perguntou Alícia, também servindo um pouco de comida para ele com os talheres apropriados.
— Você acha? — respondeu Eder, apertando o garfo com mais força. Seu olhar escureceu sutilmente. — Talvez um pouco. Estou envolvido em um projeto recente.
— O senhor deveria tentar descansar mais. — aconselhou Alícia, servindo-lhe um pouco de caldo.
— Coma você também. — disse Eder, lançando-lhe um olhar.
Alícia assentiu. Durante todo o jantar, os dois conversaram de forma descontraída, em um clima bastante agradável.
Uma notificação apitou no celular. Eder abriu a mensagem e viu que era de um número desconhecido.
[Dr. Vargas, deixo a sua parte em suas mãos. Já cuidei do resto.]
A mão de Eder segurando o garfo travou subitamente.
Era como se ele pudesse ouvir a voz educada e refinada daquele homem desconhecido através das palavras na tela.
Mas isso era apenas uma fachada. As palavras daquele homem soavam como uma cobra venenosa mostrando a língua, exalando um perigo gélido e sinistro.
Ele não queria que seus segredos fossem descobertos. Havia lutado muito para chegar onde estava e jamais permitiria que alguém destruísse tudo.
— Alicinha.
— Pois não, professor? — perguntou Alícia, erguendo os olhos enquanto tomava um gole de caldo.
De repente, uma corrente de prata com um pingente redondo desceu diante de seus olhos, balançando ritmadamente de um lado para o outro e emitindo um som suave e melódico.

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