— Pervertido!
O homem olhou para a mulher de pé à porta do banheiro. As partes que a camisola não cobria estavam completamente vermelhas, até mesmo os dedos dos pés haviam adquirido um tom mais rosado. Agindo como se nada tivesse acontecido, ele pegou a camisola caída no chão e a jogou de volta na lixeira.
— Não jogue no chão o que você não quer mais. — Kylen mantinha uma expressão serena. — Está com fome?
Alícia o ignorou. Ela se virou, caminhou até a pia, levantou a mão direita para cheirá-la e, em seguida, abriu a torneira com a mão esquerda.
A voz limpa e magnética de Kylen a alertou:
— Eu já a lavei.
Teria sido melhor se ele ficasse calado. Assim que ele abriu a boca, Alícia sentiu como se o cheiro ainda estivesse lá. Indignada, ela deu um chute na porta do banheiro, fechando-a violentamente e bloqueando a visão do homem lá fora.
Ela abriu a porta do armário à esquerda e, com naturalidade, enfiou a mão na segunda prateleira. Tirou um frasco de perfume e borrifou freneticamente em sua mão direita, repetidas vezes, até que a névoa perfumada formasse gotas escorrendo por sua pele. Só parou quando a mão inteira estava encharcada e impregnada com a fragrância.
De repente, uma sensação estranha tomou conta do coração de Alícia.
A mão que segurava o perfume parou abruptamente. Ela olhou para o armário e, depois, para o frasco em sua mão.
O perfume não tinha data de fabricação, o que indicava que talvez não fosse comercializado ao público. Parecia um produto feito sob medida ou uma fórmula exclusiva para uso pessoal.
Ela adorava perfumes e tinha uma vasta coleção em casa.
A fragrância daquele frasco era exatamente a sua favorita.
No entanto, esse não era o detalhe mais crucial.
O que realmente importava era: como ela sabia onde a coisa estava?
Quando abriu a porta do armário para pegar o perfume, não hesitou nem precisou procurar. Instintivamente, sua mão foi direto para a segunda prateleira.
Ela subitamente se lembrou do dia anterior. Sentada no sofá da sala de estar, também estendera a mão com naturalidade e puxara uma revista do outro lado do apoio de braço.
Era como se a memória estivesse impregnada em seus músculos.
Se o episódio da revista pudesse ser justificado pelo fato de o sofá de sua casa ter um bolso lateral semelhante, um ato guiado pelo hábito ainda faria sentido.
E o que acabara de acontecer?


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