Alícia virou o rosto para olhar o mar pela janela do iate, sem a menor intenção de lhe dar atenção.
Observando seu perfil teimoso, Kylen afastou subitamente as pernas, puxando-a para o seu colo, e a forçou a segurar o leme com ambas as mãos.
— Kylen, o que você está fazendo?!
Assim que a voz de Alícia cessou, o iate de repente cortou as águas a uma velocidade avassaladora.
A força da inércia a jogou bruscamente para trás, fazendo-a cair sentada sobre as coxas de Kylen.
Ele aproveitou o movimento para envolver-lhe a cintura fina com um braço e sussurrou ao seu ouvido com uma voz grave e magnética:
— Segure firme, ou nós dois acabaremos no fundo do mar.
Mas Alícia não sabia absolutamente nada sobre pilotar um iate. Não tinha ideia de como direcioná-lo, muito menos de como aquela embarcação ganhara velocidade tão subitamente. Contudo, não restavam dúvidas de que aquilo era obra de Kylen.
Ela se recusava a acreditar que Kylen realmente não temesse a morte.
Com esse pensamento em mente, ela simplesmente se desvencilhou do domínio dele. O que ela não esperava era que Kylen também soltasse o leme.
E a velocidade do iate apenas continuava a aumentar.
O estrondo violento da água salgada e o uivo cortante do vento abafaram a palavra "Maníaco!" que Alícia deixou escapar.
Ela agarrou-se ao leme novamente e, no meio do tumulto do vento e das ondas, ouviu uma risada abafada de Kylen.
Ele a observava com um olhar profundo. Ao ver sua expressão séria, agarrada ao leme para salvar a própria vida, um lampejo de afeição surgiu nos olhos dele. Seus lábios finos roçaram suavemente os cabelos dela que voavam com o vento.
Alícia sentiu apenas o hálito quente do homem se aproximar e instintivamente esquivou-se para o lado.
No entanto, o braço em sua cintura apertou-se com mais força, impedindo qualquer tentativa de fuga.
Conforme o iate acelerava, rasgando o mar, Alícia sentiu de repente uma libertação arrebatadora invadir seu peito, algo que nunca havia experimentado antes, e aos poucos foi se esquecendo de onde estava.
Subitamente, o braço ao redor da sua cintura se contraiu ainda mais, e o queixo de Kylen apoiou-se na curva de seu pescoço.
— Está se divertindo?
A voz do homem caiu sobre ela como um balde de água fria.
O alívio de que ele não estava machucado a fez soltar um suspiro profundo.
— Você não poderia simplesmente usar as palavras? — Ela o repreendeu, incapaz de esconder a censura na voz.
O homem recolheu a mão com o rosto inexpressivo e respondeu com frieza:
— Você me chamou aqui só por causa dessa insignificância? Você sabe muito bem que é inconveniente para mim sair de onde estou. Não volte a me procurar por futilidades como essa no futuro!
Como assim "insignificância"?
— O Alcides é meu filho. Ele está apodrecendo em uma cela, sem saber se vai viver ou morrer, e eu vou tirá-lo de lá.
O homem pegou outra taça, serviu um pouco de vinho e respondeu com um tom indiferente e cruel:
— Você não sabe muito bem o que ele fez? E ainda quer que eu a ajude a salvá-lo?
— O fato de eu não ter arrancado uma das mãos dele já é sorte grande!

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