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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 352

Isso aconteceu na época em que Kylen estava cego, quase cinco anos atrás.

Três anos de casamento haviam passado num piscar de olhos.

Porém, para Alícia, os eventos daquela época pareciam ter acontecido há uma eternidade.

Naquele dia, ela preparou uma xícara de chá para Kylen e sentou-se no sofá do quarto dele para folhear uma revista. Era algo que ele costumava ler antes do acidente de carro, seus interesses eram vastos, lia de tudo, e possuía uma memória fotográfica impecável.

Tratava-se de uma revista internacional de geografia.

Ela folheava as páginas sem muito compromisso quando seu olhar parou em um artigo. A página descrevia um lugar intocado pelo homem, onde repousava um lago tão cristalino quanto um espelho, de uma beleza que parecia pertencer a um conto de fadas.

O que mais chamou sua atenção, contudo, foi o seu formato: uma meia-lua perfeita.

Quanto mais olhava, mais sentia a alma ser transportada para aquele lugar. Abraçou a revista com entusiasmo, imaginando o belíssimo lago diante de si, e suspirou:

— Uau, isso é simplesmente deslumbrante!

Kylen, bebericando seu chá, perguntou sem sequer virar a cabeça:

— Se está lendo, por que está gritando do nada?

Ela ajoelhou-se no sofá, inclinou-se um pouco mais perto dele e estendeu a revista em sua direção:

— Olha só... veja como eu ajo como alguém que nunca viu o mundo.

Imediatamente, arrependeu-se do que deixara escapar. Já fazia meia quinzena desde o acidente que lhe tirara a visão, mas ela ainda não conseguia acreditar que aqueles olhos outrora tão penetrantes agora não enxergavam nada.

A mão do homem que segurava a xícara parou por um segundo.

— O que é?

Ela mencionou o nome do país e, logo depois, acrescentou:

— Este lago tem o formato de uma lua crescente. É tão peculiar, tão lindo.

— Por acaso vi que havia um lago assim nesta ilha.

Alícia tocou o céu da boca com a ponta da língua e calou-se.

Ao ser puxada para a prancha do iate, o vento atirou areia em seus olhos. Ela levantou o braço para proteger o rosto e, de repente, a luz foi bloqueada. Kylen a havia puxado para os seus braços.

A irritação da areia arrancou-lhe lágrimas. Em meio à visão embaçada, o rosto frio e imponente de Kylen apareceu bem de perto.

Sentiu apenas uma brisa suave soprar sobre seus olhos. Depois de piscar algumas vezes, o incômodo desapareceu.

Quando os abriu novamente, Kylen a puxava para dentro da cabine de comando do iate.

Como se temesse que ela fugisse de volta para a praia, Kylen a manteve colada a ele ao ligar o motor. Controlava o leme com uma mão, enquanto a outra nunca largava o pulso da mulher.

Aquela cena dolorosamente familiar fez Alícia recordar-se da vez em que fora sequestrada e levada para o mar. Após resgatá-la, Kylen comandara a embarcação exatamente da mesma forma.

— Quer tentar? — Kylen perguntou subitamente.

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