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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 328

— No seu estado, dar uma volta para fazer a digestão não é exatamente uma obrigação. — Alícia engoliu em seco a pergunta sobre ele estar bem, e disse isso com bastante delicadeza.

— Além disso, se você faz tanta questão de caminhar depois de comer, faça isso aqui mesmo. A sua sala é enorme, dar umas voltas por aqui já é o suficiente.

Naquele exato momento, o celular dela tocou.

Como o aparelho estava em sua mão com a tela virada para cima, o homem viu imediatamente o nome no identificador de chamadas: Julian.

Quando o dedo de Alícia pairou sobre a tela, um estrondo repentino ecoou. Ela se virou e viu que a bengala de Lúcio havia caído no chão. Prontamente, foi ajudá-lo a pegá-la e a entregou de volta a ele.

— Viu só? Você não consegue nem dar um passo sem essa bengala agora. Vamos esquecer a ideia de descer, pode ser? — aconselhou Alícia com paciência, virando-se em seguida em direção ao elevador, deslizando o dedo pela tela do celular enquanto andava.

Mas antes mesmo que pudesse ouvir o que a pessoa do outro lado da linha dizia, ela percebeu pelo canto do olho que Lúcio passava ao seu lado, apoiado na bengala que batia ruidosamente contra o chão.

— Ei, Lúcio, não ande tão rápido! — Alícia o segurou pelo braço.

Em seguida, ela o viu digitar com força e rapidez na tela do celular: [Pode atender, não se preocupe comigo.]

Do outro lado da linha, Julian Gonçalo ouviu Alícia dizer o nome Lúcio. Seria aquele mesmo guarda-costas habilidoso que havia aparecido na portaria do prédio dela há algum tempo?

— Nós podemos nos encontrar? — perguntou ele em voz baixa.

— Eu vi as notícias. — Segurando o braço de Lúcio com firmeza para impedi-lo de sair, Alícia respondeu a Julian com um tom sereno.

A notícia de que o herdeiro da Família Gonçalo estava prestes a ficar noivo da filha de um alto funcionário do governo havia ofuscado as manchetes sobre Alcides.

— Alícia... — Ela pôde ouvir a respiração do homem do outro lado da linha ficar tensa.

A situação de Weber Gonçalo ainda não havia sido resolvida, e parecia que havia alguém agindo nos bastidores querendo arruiná-lo. Alícia entendia perfeitamente o dilema de Julian e a imensa pressão que a responsabilidade para com a família exercia sobre ele, mas não podia dizer nada para confortá-lo.

Assim que Alícia saiu, o homem olhou por um momento na direção em que ela desapareceu, antes de desviar o olhar em silêncio. O celular em seu bolso esquerdo não parava de vibrar.

Ao retirá-lo do bolso, a tela exibia uma série de números sem identificação.

Os seus dedos se contraíram subitamente, e ele atendeu a chamada.

— Diretor Lourenço, a situação por aqui não está nada boa...

No final da tarde, quando Alícia e Hélder se preparavam para ir à casa de Lúcio, ela recebeu uma mensagem dele: [Tive um imprevisto, não estou em casa.]

Alícia encarou o celular. Aquele Lúcio havia saído perambulando por aí de novo.

Mas até que não foi má ideia. Desde o meio-dia, ela sentia um aperto inexplicável e intermitente no peito, um mal-estar indescritível. Naquele estado, não teria condições de preparar um jantar decente de qualquer forma.

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