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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 326

No amplo e sofisticado apartamento de tons preto, branco e cinza, o celular no bolso esquerdo de Kylen vibrou.

A tigela de arroz estava vazia, e metade da comida nos pratos havia sumido.

Ele pousou o garfo ao lado de uma cicatriz falsa que acabara de arrancar do canto da boca. O pedaço de silicone repuxado mal o deixava abrir os lábios para mastigar.

Vinicius era eficiente em seu trabalho, mas às vezes exagerava na dose.

Porém, já que a encenação tinha chegado àquele nível, Kylen não tinha muito do que reclamar.

Ele tirou o celular do bolso e olhou para o visor. Seu olhar escureceu de imediato. Era a primeira ligação daquela pessoa desde o incidente do dia anterior.

Com um deslizar do polegar, atendeu, mantendo o tom de voz neutro:

— Tio Sebastião.

Do outro lado da linha, Sebastião Lourenço perguntou com a voz mansa:

— Já almoçou?

Kylen murmurou uma confirmação. Atualmente, de todos os membros da Família Lourenço, apenas Sebastião residia permanentemente na Mansão Lourenço. Ele era o irmão mais novo do seu pai, seu tio de sangue, e dono do temperamento mais dócil da família.

Fosse por laços de sangue ou por respeito, Kylen nunca adotaria uma postura abertamente hostil com ele.

O problema era que, se Sebastião tinha capacidade para gerir os negócios, a mesma habilidade lhe faltava na hora de criar o próprio filho.

— O senhor ligou para implorar por Alcides?

A mão de Sebastião, que segurava o telefone, tremeu violentamente.

Ele não havia pregado o olho a noite inteira.

Ao refletir sobre os ensinamentos que passara a Alcides ao longo dos anos, sentiu-se afogado em vergonha, principalmente porque o filho cometera atos que manchavam a honra da Família Lourenço. Na noite passada, ele havia se ajoelhado na capela da família, diante das memórias dos antepassados, para implorar por perdão.

Embora tivesse dito a Sylvia que Alcides era um filho indigno e um pecador contra a secular e nobre linhagem dos Lourenço, e que nenhum dos dois deveria intervir, agindo como se o rapaz sequer existisse...

Sylvia havia usado seus contatos para checar a situação de Alcides na prisão provisória. Logo de manhã, ela lhe telefonou segurando o choro, revelando que o filho ardia em febre, inconsciente e coberto de ferimentos. Ela implorou para que Sebastião intercedesse junto a Kylen.

— Ele tocou em quem não deveria. Não ter estourado a cabeça dele com um tiro já foi um ato de misericórdia da minha parte. Aja como se não tivesse mais esse filho. No futuro, eu garanto o sustento da sua velhice.

— Kylen...

Sebastião tentou argumentar, mas apenas o som de linha morta ecoou em seu ouvido. Kylen havia desligado.

Sentado na cadeira de balanço ao lado do pátio interno, ele não parava de suspirar. Lembrar do relato de Sylvia sobre o estado de Alcides fez seus olhos marejarem.

O som rítmico de saltos altos se aproximou. Ele levantou a cabeça. Sylvia acabara de chegar à Mansão Lourenço, com os olhos vermelhos.

— Você ligou para o Kylen? — ela perguntou imediatamente.

Sebastião franziu a testa, sombrio.

— Ele não aceitou.

— Você é o tio dele! O seu pedido não serviu de nada? — Sylvia tentava conter a explosão de emoções. — Se nada mais funcionar, jogue na cara dele o nome do seu irmão e da sua cunhada! Como ele ousaria negar um pedido em nome dos pais mortos?

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