Alcides segurou o queixo dela e ergueu seu rosto. Ele se inclinou para beijá-la, mas Alícia usou todas as suas forças para desviar.
— É isso que você chama de gostar de mim? — Alícia tentou se acalmar o máximo possível; precisava primeiro estabilizar o estado emocional de Alcides.
Ela continuou:
— Nós crescemos juntos. Se eu não simpatizo com você, é porque você sempre me provocava desde criança. Mesmo assim, nunca me decepcionei com você, pois sempre achei que ainda houvesse salvação para o seu caráter.
A decepção evidente no olhar dela fez com que Alcides franzisse levemente a testa.
Ele lançou a Alícia um olhar complexo e, como se a expressão dela o ferisse, desviou os olhos. Soltou a cintura dela, levantou-se, foi até a mesa, serviu-se de uma taça de bebida e a bebeu de um só gole.
A cena de Yolanda zombando dele naquele dia passou por sua mente.
Ela havia dito que ele não servia para ser bom e não tinha coragem de ser totalmente mau, sendo um inútil para o resto da vida.
E era verdade. Foi justamente por hesitar tanto que ele acabou permitindo que Alícia fosse para os braços de Kylen.
À medida que o álcool subia à cabeça, ele percebeu que Alícia só havia dito aquelas coisas para despertar sua compaixão. Quando a capturou, a tela do celular dela exibia uma notícia sobre Kylen.
Kylen já estava com a reputação arruinada, e, ainda assim, ela continuava pensando nele!
Após tomar mais uma taça, Alcides fixou um olhar sombrio na mulher deitada na cama. Hoje, ele seria mau até o fim!
Ela não o aceitava?
Ele tinha várias maneiras de fazê-la aceitar, precisar dele, agradá-lo e nunca mais conseguir deixá-lo!
Quando Alícia o viu pegar um pequeno frasco marrom-escuro sobre a mesa, o medo apertou seu coração.
Ao perceber do que poderia se tratar, tentou se levantar da cama.
— Não me olhe com tanto ódio, Alícia. Quando a droga fizer efeito, você não conseguirá mais viver sem mim.
Como se tivesse se lembrado de algo, ele sorriu e soltou Alícia. Virou-se, abriu a gaveta do criado-mudo e tirou de lá uma caixa requintada.
Ao abrir a caixa, revelou uma pulseira de safira cravejada de pequenos diamantes.
Sentando-se na beira da cama, ele agarrou a mão de Alícia e colocou a pulseira em seu pulso.
— Você não quis o presente que lhe dei da última vez, então eu mesmo o colocarei em você.
Alícia não se lembrava. Ela nunca guardava as coisas que aconteciam entre eles, pois seus olhos e seu coração estavam cheios apenas de Kylen!
Ele, por outro lado, lembrava-se de tudo com clareza.
Aos quinze anos, ele percebeu que as constantes provocações que fazia a Alícia eram, na verdade, uma demonstração de amor. Seu aniversário ocorreria em alguns dias; então, após relutar bastante, ele a interceptou na saída da escola e perguntou o que ela pretendia lhe dar de presente. Alícia, impaciente, respondeu que ele devia ter algum problema na cabeça, pois era impossível que ela lhe desse qualquer coisa. Naquele momento, ele se sentiu extremamente envergonhado e, para não perder o orgulho, disfarçou dizendo que ela havia entendido mal, que ele estava perguntando o que ela gostaria de ganhar no aniversário dele. Em resposta, Alícia o encarou como se ele fosse louco. Desde aquele dia, ele arrumou desculpas para presenteá-la, embora ela jamais tivesse aceitado um único agrado seu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!