No quarto do segundo andar da Mansão Ocidental, a noite já ia alta, mas Yolanda simplesmente não conseguia dormir.
— Sra. Arantes, por que ainda não foi descansar? — Ao notar a luz acesa no quarto, a babá bateu na porta e entrou.
Com os olhos vermelhos, Yolanda segurava o celular com força: — Há alguma notícia da Família Lourenço?
A babá balançou a cabeça: — Nenhuma.
Yolanda apertou as sobrancelhas em aflição.
Já faziam três dias desde que Kylen passara a ser investigado. Após ele ser levado, ela não conseguiu contatar nem a ele e nem a Vinicius.
O infortúnio de Kylen destruiu por completo todo o planejamento dela. No entanto, naquele momento, a única coisa que importava era que ele estivesse bem e voltasse para ela intacto e a salvo.
Foi por isso que, quando o guarda-costas sugeriu levá-la de volta à Mansão Ocidental no dia anterior, ela não se opôs, tampouco tentou fingir que continuava sentindo tonturas.
Contudo, até agora, não tinha a menor ideia da situação de Kylen no centro de detenção. Enrique apenas havia lhe informado que ele estava colaborando com as investigações, e ela não havia conseguido extrair mais nenhuma palavra além disso.
Alguém tão orgulhoso e nobre como Kylen, ter a imagem enlameada dessa forma, ser trancafiado em uma detenção perdendo a liberdade e ainda ter que suportar a onda de insultos do público... Como o seu orgulho resistiria a isso?
Ela não permitiria que absolutamente ninguém manchasse a honra dele!
Ao perceber que ela estava sobrecarregada pelas preocupações, a babá aconselhou: — A senhora deveria tentar dormir, passar a noite em claro faz mal à saúde.
— Pode se retirar. — Yolanda ordenou com rispidez. — Feche a porta e não ouse me chamar antes das dez da manhã.
A babá se assustou por um segundo, mas logo assentiu com a cabeça: — Sim, Sra. Arantes.
Ela não tinha a audácia de perturbar o sono de Yolanda.
Na noite do primeiro dia do ano, a Sra. Arantes também havia exigido que não fosse acordada antes das dez, mas, na manhã do dia seguinte, a babá acabou se esquecendo.
Ao entrar no quarto às nove e meia da manhã, deparou-se com a Sra. Arantes sentada na beirada da cama, com um casaco sobre os ombros, virando-se para fuzilá-la com o olhar e repreendê-la com severidade.
O susto fez suas pernas fraquejarem; por sorte, a Sra. Arantes não prolongou a punição.
Ela ficou deitada por um longo tempo; embora sua mente estivesse aparentemente vazia, sem um único pensamento concreto, o emaranhado de emoções em seu coração lhe roubava o sono.
Por fim, acabou se levantando, tirou um comprimido para dormir da gaveta e o engoliu.
No entanto, nem mesmo o efeito do remédio conseguiu garantir-lhe um descanso profundo, e ela só pegou no sono quando o dia já começava a clarear.
Narciso foi levado bem cedo por um carro enviado por Nelso Simões, sob a justificativa de que o estado de saúde do avô Simões não era dos melhores.
Antes de sair, Narciso ainda passou no quarto para ajeitar o cobertor sobre ela, pedindo-lhe que o esperasse impreterivelmente no dia seguinte, pois fazia questão de levá-la pessoalmente ao aeroporto.
A verdade é que ela havia mentido para Narciso e também para Lúcio.
O seu voo não decolaria na manhã do dia seguinte, mas sim na tarde daquele próprio dia.
Ela não queria que ninguém soubesse a hora exata da sua partida. Não por falta de confiança neles, mas sim para poupá-los de problemas desnecessários.
O aviso brutal de Kylen naquele dia ainda reverberava como um eco em seus ouvidos: — Nem pense em sair da Cidade Linvar. Quem ousar te ajudar, pagará com a vida. E o Narciso não é exceção.

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