Alcides recebeu o golpe em cheio; marcas vermelhas de dedos surgiram instantaneamente em seu rosto liso.
Ele levou a mão ao rosto, olhando para a mãe com total incredulidade, e questionou com a voz grave e severa: — O que a senhora está fazendo?!
Em um instante, um brilho violento e sombrio disparou de seus olhos.
Ao vê-lo revelar aquele lado sinistro e impiedoso, Sylvia hesitou por um segundo antes de retrucar de forma ríspida: — Sou eu quem deveria perguntar o que você está fazendo!
Ela estava prestes a explodir de raiva quando a secretária bateu na porta do escritório, trazendo o café.
Sylvia abaixou a mão que estava erguida e cruzou os braços sobre o peito, contendo a fúria no olhar enquanto se virava de lado para observar a vista pela janela.
A secretária notou a tensão no ar e não ousou olhar demais; deixou o café sobre a mesa e saiu prontamente.
A porta do escritório fechou-se novamente.
Alcides afrouxou um pouco a gravata, deu as costas e caminhou até a sua cadeira.
Ele sentou-se na cadeira de couro da diretoria, recostou-se e assumiu uma expressão fria.
— Eu sou o chefe do conglomerado agora, mas a senhora é minha mãe, então vou relevar aquele tapa. Porém, vai ter que me dizer por que fez isso.
— E como exatamente você se tornou esse chefe? Pode me explicar?
O som dos saltos altos de Sylvia ecoou enquanto ela se aproximava. Colocou a bolsa sobre a mesa e o encarou do outro lado, com o semblante extremamente rígido.
Alcides puxou um cigarro do maço e respondeu com serenidade: — Kylen caiu em desgraça, o grupo não pode ficar sem um líder. Todos votaram para que eu assumisse a posição.
— E por que Kylen caiu? — Sylvia pressionou, o tom de voz carregado de agressividade.
— Eu é que acho muito estranho. — O olhar de Alcides tornou-se investigativo ao focar na mãe. — Há dez anos, quando meu pai devolveu este cargo a Kylen, não pense que não sei que a senhora brigou com ele e se separou exatamente por causa disso. A senhora também queria que o controle do grupo ficasse com a nossa parte da família. Agora que o seu próprio filho conseguiu isso, por que está com raiva?
Algumas memórias do passado invadiram a mente de Sylvia, fazendo-a sentir um calafrio profundo que parecia emanar dos próprios ossos.
Ela contornou a mesa com passos largos até parar ao lado de Alcides. Pousou a mão em seu ombro, inclinou-se e fitou-o nos olhos: — Alcides, seja sincero com a sua mãe!
Alcides virou a cabeça e lançou um olhar para a mão que repousava em seu ombro, notando as pontas dos dedos tremendo levemente. Ergueu os olhos e a observou com um ar cheio de segundas intenções: — A senhora está com medo?
— Não estou. — Sylvia negou veementemente.
— Apenas me preocupo que você tenha se desviado do caminho certo para usurpar este lugar.
Alcides desviou o olhar friamente: — Por que todos vocês acham que Kylen ocupava essa cadeira por puro mérito, enquanto apenas eu seria capaz de usar de artimanhas sujas?

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