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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 306

Enrique o observou jogar suavemente a cicatriz falsa na lixeira, sentindo uma onda inexplicável de raiva subir-lhe à cabeça.

Basta que ainda haja alguém que acredite em mim.

Ele se irritava só de ver Kylen exibindo aquela postura despreocupada, como se nada pudesse atingi-lo.

— É claro que tem gente que acredita em você. Yolanda não conseguiu falar com você e me ligou, dizendo que não acreditava que você faria uma coisa dessas. Nossa, alguém confia cegamente em você, deve estar se achando agora.

Enrique não conseguiu evitar o tom de ironia.

— Não tem nada a ver comigo. — Kylen o ignorou, levantou-se e abriu a torneira para lavar o rosto. Gotas de água escorriam por seu maxilar bem delineado e pingavam na pia.

Uma cena passou por sua mente: ela sentada no banco do carona, segurando um copo de leite quente, pronunciando de forma lenta e inabalável.

— Ele não faria isso.

Atrás dele, Enrique continuou a jogar lenha na fogueira: — Você nem imagina o que ela disse no telefone. Falou que, se você fosse preso injustamente, ela passaria o resto da vida te esperando do lado de fora.

— Eu sei que ele tem a capacidade de reverter essa crise.

As palavras da mulher sentada no banco do carona ainda ecoavam em seus ouvidos.

De repente, Kylen apoiou as duas mãos na borda da pia e ergueu o olhar lentamente, observando Enrique pelo espelho.

— Você falou com a Yolanda?

Enrique encontrou os olhos profundos e afiados de Kylen e, no mesmo instante, percebeu que não era hora para brincadeiras.

Ele deixou de lado a ironia e a atitude debochada de instantes atrás, respondendo com frieza: — Não.

Embora adorasse provocar aquele rosto eternamente indiferente de Kylen, querendo vê-lo perder a compostura, em todos aqueles anos a única vez em que conseguiu vislumbrar um traço claro de irritação foi na ilha, quando insinuou que ele estava com ciúmes de Narciso.

Mas brincadeiras à parte, quando a situação exigia seriedade, ele não hesitava.

— Espera aí! — No início, Enrique não havia notado nada fora do comum, até que os dedos longos de Kylen pousaram a pouco mais de um centímetro abaixo do Pomo de Adão, e então uma cena horripilante se desenrolou.

Conforme os dedos de Kylen deslizavam para baixo, a pele de seu peito se abria lentamente para os lados!

O couro cabeludo de Enrique formigou: — !! Puta... merda !!

Ao ouvir aquele grito apavorado, Kylen lançou-lhe um olhar de soslaio e indiferente.

Enrique sentiu instantaneamente que sua inteligência acabara de ser insultada.

Kylen jogou a "pele" que havia arrancado do corpo na beirada da cama e voltou a vestir a roupa. Em seu peito definido e firme, não havia sangue nem qualquer ferida.

Ainda em choque, Enrique se aproximou e ergueu o traje muscular deixado na cama. A textura e a cor eram praticamente idênticas às de um músculo humano vivo, deixando-o incrédulo.

— Você foi fazer cosplay mesmo? — Ele encarou Kylen, horrorizado. — Desde quando você tem esse fetiche que eu não sabia?

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