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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 303

Ela olhou para aquela frase e baixou os cílios longos.

— Ele não faria isso.

Alícia proferiu essas breves palavras em um tom muito suave.

— Ele não faria isso.

As mãos do homem, no banco do motorista, de repente se enrijeceram sobre o volante.

Em seguida, ele ouviu a mulher ao seu lado dar uma risada autodepreciativa.

— Você deve estar me achando...

Sob a aba abaixada do boné preto, um par de olhos frios suprimia uma confusão frenética de emoções.

Alícia exalou um suspiro.

— Você não pode contar isso a ninguém, senão vou parecer uma idiota.

— Mas sendo bem racional, Kylen jamais faria esse tipo de coisa. Na verdade, há alguns anos, quando o Grupo Financeiro Lourenço estava sob a direção do segundo tio dele, a empresa passou por uma crise. Se ele fosse do tipo que explora brechas, não teria passado dois meses seguidos virando noites no trabalho. Se a saúde dele não fosse de ferro, ele já teria desmoronado.

Os dedos de Lúcio, ligeiramente trêmulos, digitaram devagar: [Como você sabe?]

— Porque o meu quarto ficava exatamente ao lado do dele. Eu sempre esperava ele sair do escritório e ir para o quarto antes de dormir.

Alícia fez um gesto de desdém com a mão enquanto falava, com uma expressão de quem não queria lembrar do passado.

— Era apenas bobagem de menina. Olhando para trás agora, percebo como fui tola.

Naquela época, toda vez que ela se lembrava de que seu quarto ficava ao lado do de Kylen, achava que era o destino, um arranjo divino.

A propósito, muitas coisas aconteceram enquanto ela e Kylen eram vizinhos de quarto.

Por exemplo, quando ela teve sua primeira menstruação, aos treze anos, foi Kylen quem comprou absorventes para ela.

Naquela noite, ela havia acabado de tomar banho e estava sentada na beira da cama enxugando o cabelo quando sentiu um fluxo quente. Ao ver o sangue nos lençóis, ela, que já ouvira as colegas de turma comentarem sobre a puberdade, entendeu imediatamente o que aquilo significava.

No entanto, por ser a primeira vez, ela estava completamente perdida, e a avó da família tinha viajado para a casa da tia no exterior.

Ao vê-lo entrar no carro que o levaria para longe, ela segurou as lágrimas até voltar para casa. Chegando no quarto, ela se enrolou nas cobertas e chorou tanto que seus olhos grandes ficaram inchados como nozes.

Ela trouxe seus pensamentos de volta à realidade e viu que Lúcio havia digitado mais algumas palavras.

[Mas as pessoas mudam.]

Alícia repetiu as mesmas palavras:

— Ele não faria isso.

— Eu sei que ele tem a capacidade de contornar essa crise porque eu acredito no homem que já ocupou o centro do meu coração. Ele não faria algo assim.

— Mas não vou acompanhar as notícias sobre esse assunto. Ele agora não significa nada para mim, não é mais nem meu ex-marido. Para mim, ele é apenas mais um irmão mais velho com quem cresci na Família Lourenço, sem diferença alguma de Alcides.

Ela declarou a Lúcio:

— Eu não quero vê-lo nunca mais nesta vida.

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