Alícia olhou sonolenta para a linha de texto na tela do celular e levou dois segundos para acordar completamente.
Lúcio estava no térreo de seu prédio?
Ela se sentou, jogou as cobertas para o lado e saiu da cama, caminhando apressadamente até a janela para abrir as cortinas e olhar para baixo.
As luzes decorativas do condomínio diminuíam automaticamente a intensidade durante a madrugada, então a iluminação não estava muito forte. Uma chuva fina havia caído ao entardecer, cobrindo os jardins com uma névoa embaçada.
Morando no décimo nono andar, ela não conseguia enxergar perfeitamente, mas reconheceu de imediato o imponente SUV de Lúcio estacionado do lado de fora.
Já eram onze da noite. Se fosse qualquer outra pessoa, ela não ousaria descer, temendo encontrar algum mal-intencionado, mas como era Lúcio, ela não tinha a menor preocupação.
Com Lúcio por perto, a segurança era absoluta.
Ela vestiu um roupão, calçou os chinelos e desceu às pressas.
Tão tarde da noite, o prédio estava silencioso; os passos de Alícia ecoaram pelo corredor e rapidamente desapareceram dentro do elevador.
Com um "ding", a porta do elevador se abriu.
Dentro do carro, o homem observava atentamente pelo vidro da janela enquanto Alícia saía usando um roupão felpudo.
O capuz do roupão vermelho e branco tinha orelhas de raposinha, que balançavam de leve conforme ela caminhava.
Ela estava com as duas mãos nos bolsos e não carregava guarda-chuva.
A porta principal do prédio se abriu automaticamente, e a garoa fina lhe atingiu os olhos, fazendo Alícia estremecer por instinto.
Logo no momento em que ela deu um passo para trás reflexivamente, uma sombra cobriu sua cabeça; um grande guarda-chuva preto a abrigou.
O homem, vestido todo de preto, emanava uma frieza apática. A mão, coberta por uma luva elástica preta, segurava o cabo da sombrinha, inclinando-a para que todo o corpo dela ficasse protegido da chuva.
— Lúcio.
Alícia sorriu com os olhos brilhantes, encolhendo o pescoço e batendo os pés no chão para se aquecer enquanto olhava para cima.
Lúcio se virou de lado e apontou para o carro lá fora, indicando que ela entrasse.
Alícia assentiu.
— Ah, certo, vamos.
— Então era só por isso. Não tem problema, eu não disse que você não precisava ir? Vá cuidar dos seus afazeres.
[Você não disse que levaria pelo menos meio mês para assinar a papelada de demissão? O caso do Kylen afetou você?]
Alícia tomou mais um gole do leite quente e balançou a cabeça, mas depois assentiu.
— Você não acha irônico? Eu queria ficar bem longe dele, e a desgraça dele acabou antecipando a minha demissão.
Ela sorriu com astúcia.
— Eu me segurei para não dizer aos meus chefes que não tenho nada a ver com o Kylen, com medo de que eles não aprovassem a minha demissão antecipada se soubessem da verdade.
Enquanto falava, achava graça da situação, como se tivesse tirado vantagem de tudo, e o brilho em seus olhos era vívido.
Só que era um brilho um pouco intenso demais, fazendo com que seus olhos parecessem marejados.
Alícia abaixou a cabeça, continuou dando pequenos goles no leite quente e demorou bastante para olhar de novo para ele.
Lúcio ergueu a tela do celular na frente dela. [O que Kylen fez gerou um escândalo imenso.]

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