Assim que esses dois grandes problemas fossem resolvidos, ela poderia ir embora.
Os olhos castanho-escuros por baixo do boné se estreitaram levemente. Ao espalhar as cinzas, ela realmente pretendia cortar todas as amarras e deixar Cidade Linvar sem olhar para trás.
Enquanto caminhavam, Lúcio digitou: [Vai para a base de correspondentes no Reino Unido que você havia mencionado?]
— Fui cortada da lista, não posso mais ir. Pretendo encontrar um lugar novo para viver e começar do zero. — Alícia balançou a cabeça, com pesar.
A mão do homem apertou o celular com mais força.
— Eu era ameaçada porque tinham algo contra mim. Agora que eliminei esses pontos fracos, vai ser bem mais fácil ir embora. — Alícia não percebeu esses detalhes minúsculos e quase imperceptíveis que ele tentava esconder.
Ela abaixou a cabeça e fungou o nariz enquanto falava.
— A sensação de ser controlada por alguém é horrível.
— O mundo lá fora é muito mais libertador! — Ela ergueu a cabeça novamente e respirou fundo.
O homem caminhando ao seu lado permaneceu em silêncio e, depois de um tempo, estendeu o celular para ela.
Ela leu a frase na tela: [Já sabe para onde quer ir e começar de novo?]
— Ainda não sei, acho que vou para o exterior. — Alícia pensou por alguns segundos e balançou a cabeça.
As sobrancelhas do homem se franziram levemente: [Ainda quer ser correspondente de guerra?]
Alícia ficou surpresa. Ele realmente lembrava que seu sonho era ser correspondente de guerra.
— Talvez. — A verdade é que ela ainda não tinha nenhum plano definido.
Lúcio: [Tudo bem. Me avise quando for embora, irei me despedir de você.]
— Você é tão ocupado, bem capaz de estar no meio de um trabalho justo quando eu for. Não se preocupe, somos amigos, e entre amigos não precisamos dessas formalidades. — Alícia sorriu.
Além disso, ela planejava partir em segredo. Talvez não contasse nem mesmo para Narciso.
Na manhã de segunda-feira, Alícia dirigiu até o setor de atendimento do Fórum Cível e entregou os documentos do processo de divórcio que havia preparado para a funcionária.
Ela sentou-se num banco alto diante do balcão e esperou em silêncio pelo resultado da análise.
A funcionária fixou o olhar na tela do computador, digitando rapidamente para inserir os dados de Alícia no sistema.
— Ahn? — A funcionária franziu a testa, confusa, pegou a documentação de Alícia e digitou as informações novamente.
— Sra. Serra, que estranho... O sistema não acusa nenhum registro de casamento em seu nome. — Disse a funcionária virando-se para Alícia depois de um tempo.
— Por favor, tente de novo. Eu sou casada, sim. — Alícia ficou surpresa, mas não deu muita importância, limitando-se a dizer isso à funcionária.
— Aguarde um instante. — Ela pegou a papelada de Alícia e correu para a sala interna da administração.
Pouco depois, ela voltou ao balcão, aproximou-se de Alícia e devolveu-lhe a certidão de casamento e o restante dos documentos.
— A senhora nunca foi registrada como casada. Essa sua certidão de casamento é inválida.

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