Meio mês até deixá-la partir...
Alícia agarrou os lençóis sob seu corpo com força repentina, como alguém prestes a se afogar que se agarra desesperadamente a uma tábua de salvação.
Ela queria fingir que não tinha ouvido, queria ignorar as palavras de Kylen.
Mas a frase dele se enroscou em sua mente, tornando impossível conter a reação, ao mesmo tempo em que a ameaça dele ecoava em suas lembranças.
Sua voz transparecia um traço de exaustão e luta:
— Você vai me manter em cárcere privado?
No Dia de Ano Novo, quando foi trazida para cá, Kylen ainda não havia confiscado seu celular; levou-a para jantar, deixando alguma margem de liberdade.
Mas a postura de hoje, impedindo qualquer contato com o mundo exterior, significava, sem sombra de dúvida, um confinamento total.
— O Jardim Sombrio tem o tamanho de trinta quadras de basquete. É espaço suficiente para você se movimentar. — Kylen observou a curvatura do edredom, que enrijeceu levemente assim que sua voz cessou.
Ele não negou o termo "cárcere privado".
Ah, que ridículo.
Só porque a gaiola era grande e as instalações eram completas, deixava de ser uma prisão?
De costas para o homem, ela ironizou com frieza:
— Se você quer proteger Yolanda, por que precisa de meio mês?
Kylen precisava apenas mover um dedo para esconder alguém com facilidade.
O que ela não sabia era que, depois que deixaram a Mansão Ocidental, Yolanda já havia sido levada secretamente pelos homens de Vinicius. Quando os guarda-costas da Família Simões chegaram à Mansão Ocidental, já não havia vestígios dela.
Alícia fechou os olhos e ouviu a voz profunda e sombria de Kylen:
— Espere meio mês.
Alícia não queria ouvir mais nada vindo dele. Se esperasse meio mês para ser libertada, nem saberia mais onde Yolanda estaria.
Mesmo que encontrasse Yolanda, Kylen continuaria a protegê-la.
De Vinicius, aquele túmulo calado, não se tirava nada. Quando o assunto envolvia Kylen, ele mantinha a boca fechada; mesmo com uma faca no pescoço, engoliria a lâmina junto com o segredo.
Ele estava curioso, morrendo de curiosidade!
Assim que chegou ao segundo andar, viu a porta da suíte principal de Kylen se abrir.
Kylen saiu do quarto vestindo um roupão preto e fechou a porta atrás de si. Seus cabelos estavam levemente úmidos; obviamente, acabara de tomar banho.
Um sorriso malicioso surgiu nos olhos de Enrique, mas logo se lembrou de que Kylen havia atirado em Alícia. Era impossível que ela concordasse em fazer qualquer coisa com ele, e Kylen provavelmente nem tinha isso em mente.
Guardando os pensamentos impuros, Enrique se aproximou.
Kylen ergueu as pálpebras e lançou um olhar para a expressão cheia de significados de Enrique.
— O que você quer sondar?
— Nada. — Enrique, embora se sentisse culpado, manteve uma expressão de preocupação. — Vinicius não descia há um bom tempo. Fiquei preocupado que aquela cabeça dura não entendesse nada e acabasse servindo de vela para vocês, o que seria chato.

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