Até hoje ela se lembrava do sentimento daquele dia.
Alícia puxou a mão bruscamente e levantou as cobertas para sair da cama.
Ela pisou descalça no chão, seus pés fazendo um som suave na madeira. Caminhou até a porta, segurou a maçaneta e empurrou para baixo, mas a maçaneta não se moveu.
Ela percebeu imediatamente que havia alguém do lado de fora.
No Jardim Sombrio, havia uma pessoa que precisava apenas de um olhar de Kylen para cooperar com ele perfeitamente, como um companheiro de batalha de muitos anos.
Era Vinicius quem estava lá fora.
No entanto, assim que ela virou a cabeça para olhar para a janela, Kylen se aproximou sem que ela percebesse. Com uma mão nas costas dela, ele se abaixou e, com a outra, ergueu-a pelos joelhos, colocando-a de volta na cama grande.
Ele se inclinou, apoiando as mãos ao lado dela, a testa quase tocando a dela, decifrando seus pensamentos.
— Quer pular a janela? É melhor que quebre as pernas, assim você não vai a lugar nenhum e ficará aqui para sempre.
Alícia virou o rosto para evitar a respiração dele e disse friamente:
— Tenha coragem e feche todas as janelas, me tranque aqui como uma prisioneira!
As casas no Jardim Sombrio tinham um pé-direito muito alto, diferente da altura comum de um segundo andar.
Pular da janela certamente resultaria em ossos quebrados, mas ela preferia isso a ficar naquele lugar!
Alícia bateu a testa com força contra a de Kylen. Sua testa ficou vermelha e, aproveitando o momento em que Kylen franziu a testa, ela dobrou o joelho para golpeá-lo. Mas Kylen desviou facilmente do ataque e puxou o edredom para cobri-la.
Ele ficou ao lado da cama e tirou o paletó.
— O feriado de Ano Novo acaba amanhã. A construção do túmulo que você comprou para seus pais não vai começar?
Claro, alguém com a mente de Kylen jamais usaria o aniversário como senha.
Ela tentou todos os números que vieram à mente, até que, após várias tentativas erradas, a tela bloqueou.
Alícia olhou atordoada para o celular bloqueado, e uma onda de desespero e derrota invadiu seu coração.
O som da porta do banheiro se abrindo foi ouvido. Alícia colocou o celular de volta no lugar imediatamente, deitou-se de lado e puxou o edredom até cobrir a cabeça.
Kylen, com seus dedos longos amarrando casualmente o roupão preto, caminhou com suas pernas longas e fortes até a cama, olhando de cima para a pessoa escondida sob as cobertas.
Ele virou a cabeça e lançou um olhar indiferente para o celular na mesa de cabeceira, que havia mudado de posição.
Com a ponta dos dedos, ele levantou levemente a ponta do edredom, olhando para os cabelos negros e macios dela. Sua voz, fria e suave, chegou aos ouvidos dela:
— Daqui a quinze dias, eu deixarei você sair.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!