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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 222

No quarto, a fumaça do incensário subia em espirais suaves e a água na chaleira fervia. Fora isso, ouvia-se apenas a respiração fraca de Lívia, por um fio.

O silêncio era aterrorizante.

Só agora Lívia compreendia por que Kylen se recusava a deixar Alícia, agindo de forma tão impenetrável.

Porque no coração dele não havia apenas um lugar para Alícia, mas sim...

Kylen soltou os dedos, que estavam brancos de tanto apertar. A sombra do dossel da cama recaía sobre seus olhos.

— Vou chamar o médico para vê-la.

Lívia apenas balançou a cabeça.

Já não havia luz em seus olhos; toda a sua força parecia sustentada apenas por um último suspiro.

Kylen sabia que não havia mais necessidade. Desde que entrara no quarto, sentira a aura diferente que pairava ali.

— Você vai me prometer ou não?! — Ela apertou a mão dele com força, arregalando os olhos turvos para encarar seu rosto. Os globos oculares pareciam prestes a saltar das órbitas.

— Kylen! Vai deixar sua avó morrer sem paz?!

A emoção a fez arfar violentamente. Seu corpo teve um espasmo e enrijeceu; a cabeça pendeu para trás e a garganta emitiu um chiado fino e curto.

O olhar de Kylen tremeu violentamente.

Ele apertou a mão de Lívia com força repentina, sentindo a temperatura dela se esvair.

Inclinou-se e sussurrou no ouvido dela, com a voz embargada:

— Eu e ela...

As palavras seguintes foram quase espremidas de seu peito, sílaba por sílaba, roucas e profundas.

Lívia tombou no travesseiro. Seus olhos, fitando o dossel caído, perderam o foco gradualmente e as pálpebras se fecharam devagar.

— Bom... bom...

...

Alícia, barrada pelo Sr. Batista do lado de fora, não conseguia ouvir nada. Com a porta fechada, também não via nada.

Estava consumida pela ansiedade. Perguntou várias vezes ao Sr. Batista por que a avó não queria vê-la, mas ele apenas balançava a cabeça.

Passos desordenados soaram na escada. Alcides Lourenço havia retornado.

Seu pai estava voltando do exterior, e Sylvia Pereira, ao receber o telefonema de Alcides, também correu para a Mansão Lourenço. Os dois se encontraram no andar de baixo e subiram juntos.

— Vovó!

O grito de dor de Kylen ecoou de dentro do quarto.

Os ouvidos de Alícia zumbiram, sua mente ficou em branco e, por instinto, seu corpo se lançou contra a porta, abrindo-a com um estrondo!

Na cama clássica, com o dossel meio arriado, Lívia jazia de olhos fechados. Seu rosto estava cinzento, sem qualquer sopro de vida.

A visão de Alícia escureceu e as lágrimas jorraram.

— Vovó!

À beira da cama, Kylen segurava firmemente a mão de Lívia, que perdia o calor.

Ao ouvir o choro doloroso na porta, seus dedos enrijeceram.

Em seus ouvidos, ecoava a última frase de Lívia:

— ... Prometa-me, no meu funeral não deve aparecer ninguém da Família Serra.

Kylen repousou a mão de Lívia sobre a cama, cobriu-a com o lençol e, sem olhar para trás, ordenou a Vinicius:

— Expulse Alícia da Mansão Lourenço.

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