— Sente-se direito. — O homem falou com indiferença.
Alícia virou-se de lado, recostando-se na poltrona e fechando os olhos.
No início, a presença imponente do homem ao seu lado deixou seu coração agitado.
Depois, seus pensamentos vagaram para a auditoria da estação de correspondentes estrangeiros, cujo resultado deveria sair naqueles dias.
Pelos seus cálculos, já era final de ano. Provavelmente, logo após o feriado, ela partiria para a Inglaterra.
Antes disso, durante o recesso, ela certamente voltaria à Mansão Lourenço para fazer companhia à avó...
Kylen descansava de olhos fechados. Pouco tempo depois, ouviu-se uma respiração ritmada ao seu lado.
Ele abriu os olhos e virou a cabeça para observar Alícia adormecida.
...
O helicóptero pousou no terraço do hospital da Família Lourenço.
Kylen sentiu a pessoa em seus braços se mexer. Abriu os olhos, observando os cílios dela tremularem levemente, e a ajudou a se endireitar em seu assento original.
Alícia abriu os olhos e demorou um instante para perceber que haviam aterrissado.
Ela bocejou, fingindo olhar casualmente para Kylen — que não se sabia se dormia ou apenas repousava — e levantou-se para sacudir Narciso.
— Chegamos à Cidade Linvar, seu dorminhoco!
Narciso acordou com o solavanco.
A equipe médica já aguardava. Assim que a aeronave tocou o solo, levaram Julian para receber tratamento adequado.
Kylen mal havia descido do helicóptero quando Vinicius se aproximou apressado, com expressão grave.
— Diretor Lourenço, seu telefone não estava chamando. O Sr. Batista ligou para mim. A velha senhora vomitou sangue.
Alícia, que descia logo atrás, ouviu as palavras de Vinicius.
O carro disparou em alta velocidade rumo à Mansão Lourenço.
Alícia correu ansiosa para entrar no quarto, mas foi barrada pelo Sr. Batista.
— Sr. Batista, como a vovó vomitou sangue de repente? Por que não a levaram para o hospital?
O Sr. Batista tinha uma expressão pesada.
— Jovem senhora, a velha senhora pediu que você aguardasse aqui fora.
Alícia estacou, atônita.
Os passos de Kylen hesitaram por uma fração de segundo, e uma escuridão profunda tomou conta de seus olhos negros.
O tempo pareceu se esticar infinitamente.
Sua voz soou grave ao extremo:
— Ela não sabe.
Como se as lágrimas tivessem secado, o rosto de Lívia tornou-se acinzentado.
Aquela menina que ela cuidara com tanto zelo, criada como uma dama da Família Lourenço, a criança que ela amparou por tantos anos... era filha do assassino de seu filho e de sua nora.
Olhando para trás, Lívia sentiu que tinha sido uma tola a vida inteira.
Ela moveu os lábios exangues e murmurou:
— A criança é inocente. Ela tinha apenas cinco anos na época. O erro da Família Serra não tem nada a ver com ela.
— Mas eu não permitirei que ela continue na Família Lourenço.
Lívia forçou o corpo a se sentar, cravando as unhas no pulso de Kylen. Como num último surto de energia antes do fim, a força era tamanha que quase perfurava a pele dele.
Com a voz rouca, ela exigiu:
— Só tenho um pedido a lhe fazer. Divorcie-se dela.

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