Alícia terminou o banho, secou o corpo e pendurou a toalha no gancho da parede, antes de abrir o pacote de roupas ainda lacrado.
Tratava-se de um conjunto esportivo masculino azul-marinho de mangas compridas, acompanhado por um par de meias.
Ela verificou a etiqueta e confirmou que era o tamanho de Kylen.
Alícia vestiu as peças que, como esperado, ficaram absurdamente grandes. Ela dobrou um pouco as mangas e a barra da calça, vestiu o sobretudo militar por cima e segurou a maçaneta.
Assim que sua mão tocou a maçaneta, a pessoa do lado de fora empurrou a porta.
O calor do banheiro escapou em uma lufada. Kylen baixou o olhar e observou Alícia, envolta na névoa úmida, com os cabelos presos em um coque no alto da cabeça.
Alguns fios soltos e úmidos grudavam em suas bochechas, fazendo com que seu rosto, já pequeno e delicado, parecesse ainda mais jovem do que o habitual.
Como o cós da calça esportiva estava largo demais para ela, Alícia prendeu a blusa por dentro. O tecido esticado delineava a silhueta bonita e firme de seus seios, emanando uma sedução que contrastava completamente com a inocência de seu rosto naquele momento.
O olhar negro de Kylen escureceu. Com a voz rouca, ele perguntou:
— Terminou o banho?
Alícia permaneceu em silêncio. Abraçando suas próprias roupas, tentou passar por ele sem dizer nada, mas o braço de Kylen, ainda segurando a maçaneta, bloqueava seu caminho.
— Eu vou dormir.
Ao levantar a cabeça, o coque no alto balançou levemente.
Até mesmo seus cabelos pareciam estar fazendo birra.
O olhar de Kylen passou por cima da cabeça dela e inspecionou o banheiro: havia um grande balde de água quente e meio balde de água fria; ela havia usado apenas metade. A toalha estava pendurada no gancho da parede.
Ele soltou a mão e Alícia saiu sem hesitar, mas não ousou dar nem mais um passo para dentro daquele quarto.
O som de passos pesados ecoou vindo da escada.
Kylen manteve o olhar fixo no coque que balançava no alto da cabeça dela até que ela desaparecesse de vista; só então ele entrou no banheiro.
A luz vinda da escada projetava a silhueta alta de Kylen na parede, e a sombra diminuiu à medida que ele se sentava.
Ele olhou para a figura encolhida ao seu lado; seu olhar se tornou mais intenso. Ele segurou os ombros dela e a puxou para os seus braços.
A cabeça da jovem adormecida pendeu para trás, deixando seus lábios rosados perigosamente próximos.
Apenas quem já os havia tocado sabia o quão incrivelmente macios eles eram.
Ao recordar os sons que ouvira vindo do banheiro pouco antes, os olhos de Kylen escureceram de forma avassaladora. Ele fixou o olhar nos lábios dela, baixou a cabeça e os tomou para si.
A jovem em seus braços, que acabara de cair no sono profundo, despertou assustada com a sensação de sufocamento. Emitindo um gemido de protesto, ela levantou as mãos para empurrá-lo.
— Hum!
Passando da confusão inicial para a raiva, ao perceber que não conseguia afastá-lo, ela abriu a boca, pronta para mordê-lo.

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