Seus lábios empalideceram visivelmente, e ela assentiu.
— Entendi.
O olhar de Kylen tornou-se severo.
— Vinicius.
Vinicius entrou no quarto e, ao perceber a atmosfera estranhamente opressiva, sentiu uma leve surpresa. Estava tudo normal lá embaixo agora há pouco; como as coisas mudaram tão de repente?
— Queime isso.
Kylen entregou-lhe uma fotografia.
Vinicius olhou para a foto, ergueu o olhar para Kylen instintivamente e, logo em seguida, baixou os olhos.
— Sim, senhor.
Alícia virou-se para pegar o casaco militar e procurar um canto qualquer para dormir e recuperar as forças, mas, ao girar o corpo, seus olhos pousaram na cama. Ela fingiu não se importar, mas havia um espinho cravado em seu coração que a incomodava constantemente.
Ela pegou o casaco e caminhou em direção à porta.
De repente, Kylen segurou seu pulso e a puxou para seus braços. Alícia tentou se soltar, mas não conseguiu; a mão forte dele dominava firmemente sua cintura.
— Vai procurar o Julian de novo?
— Eu quero dormir. — Alícia virou o rosto para a janela, observando a tempestade. O céu escurecera novamente e o mar, que parecia mais calmo antes, estava revolto outra vez, castigado por ondas violentas.
Aquele tempo deixava qualquer um agitado, prestes a explodir!
Kylen disse com a voz grave:
— Mandei esquentar um balde de água para você tomar um banho antes de dormir.
Alícia olhou para Kylen abruptamente. Presos naquela ilha com aquele tempo, água era um recurso escasso. Na noite anterior, os dois já haviam gastado metade do estoque.
Ela tinha leite quente para beber e agora podia tomar banho; o tratamento estava sendo bom até demais.
— Eu não preciso. Guarde para todos beberem.
Após tentar três vezes, ela estava prestes a pegar uma cadeira para bloquear a entrada quando, de repente, uma mão de nós proeminentes segurou a maçaneta pelo lado de fora e fechou a porta.
Através do vidro fosco, a silhueta alta e imponente do homem podia ser vista parada junto à porta.
Era óbvio que Kylen estava segurando a maçaneta.
Os olhos de Alícia arderam com o vapor da água quente. Ela mordeu o lábio, reprimindo a sensação dolorosa e sufocante em seu peito, uma emoção que não tinha para onde escapar. Desviando o olhar, ela começou a tirar a roupa rapidamente.
Kylen segurava a maçaneta. Com sua audição aguçada, ele podia ouvir claramente os movimentos lá dentro.
O som do zíper. O casaco.
O ruído suave dos tecidos. A blusa de malha, a calça.
O estalo de um elástico sendo puxado. A roupa íntima.
Logo em seguida, ouviu-se o barulho da água caindo. O pomo de adão de Kylen moveu-se, e a mão que segurava a maçaneta se apertou com força.

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