Entrar Via

Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 208

Os lábios e dentes de Alícia tremiam enquanto o homem invadia sua boca com dominância, num entrelaçar feroz.

Ele segurou a nuca dela, encostou a testa na dela e, com a voz rouca escapando por entre os dentes, perguntou:

— Aqueles desgraçados tocaram em você?

A respiração ardente do homem quase afogava Alícia. Ela parecia ter esquecido de tudo, respondendo apenas por instinto:

— Não...

Kylen encarou os olhos avermelhados dela. No momento em que ela abriu a boca, a respiração dele descompassou e ele baixou a cabeça novamente, sugando com força os lábios que agora recuperavam a cor.

Do lado de fora da pequena casa branca, o vento uivava trazendo chuva torrencial. As ondas do mar subiam cada vez mais alto, com muralhas de água de quase trinta metros batendo na costa com um estrondo ensurdecedor. A água avançava como uma serpente gigante pela ilha, fazendo o chão tremer.

A luz do quarto no segundo andar se apagou, e roupas caíram desordenadamente no chão.

Kylen prensou Alícia contra o canto da parede.

— Alícia...

Na escuridão, ninguém conseguia ver o rosto do outro claramente.

— Por que... você veio me salvar? — A voz de Alícia saía entrecortada, enquanto ela trincava os dentes para impedir que a amargura transbordasse.

Você não devia ter vindo me salvar, Kylen!

Você não devia ter vindo!

O que eu faço agora? O que você quer que eu faça?

As unhas dela cravaram nas costas do homem, e lágrimas quentes rolaram de seus olhos, caindo nos braços fortes e musculosos dele, deslizando pela textura rígida de seus músculos até o chão.

Kylen, sem dizer uma palavra, agarrou as pernas dela e as prendeu em volta de sua cintura vigorosa. Seus movimentos tornaram-se cada vez mais ferozes e intensos, impedindo-a de falar.

Percebendo a intenção do homem, Alícia apoiou as mãos com força no peito dele. Na escuridão, seus olhos cheios de lágrimas o encararam, e ela gritou chorando:

— Na verdade, lá no fundo, você não sente um pouco de...

— Cale a boca!

No quarto, iluminado apenas pelos relâmpagos, a expressão de Kylen era sombria. Ele segurou firmemente a nuca de Alícia, forçando-a a beijá-lo novamente, bloqueando as palavras que ela não conseguiu terminar.

O vento rugia, e as janelas de vidro estalavam.

Hoje era o dia da alta de Yolanda Arantes. Ela esperou no quarto do hospital até a tarde, mas ninguém enviado por Kylen apareceu para buscá-la.

A cuidadora disse com entusiasmo:

— Será que o Diretor Lourenço virá pessoalmente?

"Deve ser isso", pensou ela. Dado o nível de preocupação do Diretor Lourenço com a Sra. Arantes, ele certamente viria buscá-la pessoalmente no dia da alta.

Ela precisava deixar a Sra. Arantes impecável.

Pensando nisso, a cuidadora correu para abrir o guarda-roupa do quarto, tirou dois conjuntos de roupas de Yolanda e os comparou perto dela.

— Esse branco é mais bonito. A Sra. Arantes fica melhor de branco, parece pura e radiante como um anjo.

Os elogios da cuidadora não melhoraram o humor de Yolanda.

Pelo contrário, seus dedos se apertavam cada vez mais. Ela estava inquieta, sentindo que algo havia acontecido.

Um pressentimento muito ruim pairava sobre seu coração.

E, para piorar, aquela mulher sem noção continuava a bajulá-la sem parar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!