Alícia olhava atônita para os dois homens caídos no chão, imóvel.
Estavam mortos.
Ela estava muito perto da janela da cabine. O vento do mar entrava pelo vidro quebrado, despenteando seus cabelos. Com os dedos ainda trêmulos, ela segurou as mechas que cobriam seus olhos.
Ao erguer o olhar, viu o helicóptero preto pairando acima do iate.
E, na porta aberta, estava um homem alto, vestindo uma jaqueta tática preta e segurando um rifle sniper.
Aquela distância, não dava para ver com clareza, mas ela reconheceu o dono daqueles olhos negros num instante.
Seu coração bateu num ritmo anormal.
Kylen!
Ele...
No fone de comunicação, ouviu-se a voz de Vinicius, que pilotava o helicóptero:
— Diretor Lourenço, já entramos na área da Cidade Mar.
Na superfície do mar, um barco se aproximava silenciosamente do iate.
Só acenderam as luzes quando estavam colados à embarcação.
Parecia ser um resgate.
O olhar de Kylen fixou-se na bandeira hasteada no barco, estampada com um totem especial. Sua expressão escureceu: eram homens de Gustavo.
Ele olhou para o céu, onde nuvens negras se agitavam.
O ar fluía rapidamente. A baixa pressão fazia o helicóptero perder altitude constantemente; manter-se pairando ficava cada vez mais difícil, aumentando a dificuldade do tiro.
A tempestade cairia sobre aquela área muito em breve.
— Acabem com isso rápido.
Alícia foi forçada a subir na escada que ligava ao convés do outro barco.
O homem apertava o braço dela com força, usando-a como escudo humano. Por sorte, ele não era muito alto, e a estatura de Alícia era suficiente para mantê-lo num ponto cego para os atiradores.
— Pã!
De repente, alguém no barco atirou contra o helicóptero!
Um flash vermelho brilhou e, com outro estrondo, um guarda-costas ao lado de Kylen revidou, matando instantaneamente o homem que havia se exposto para atirar.
O sequestrador que segurava Alícia ficou aterrorizado. Com o rosto distorcido pelo medo, pressionou a arma contra a testa dela, esticou o pescoço olhando para a porta aberta do helicóptero e seu dedo fez o movimento de apertar o gatilho.
Estava disposto a tudo ou nada!
A figura frágil de Alícia balançava com o vento, e a pele exposta estava visivelmente branca de frio.
Seus cabelos estavam revoltos. Com a arma pressionando sua têmpora, ela foi forçada a erguer a cabeça. Em seus olhos avermelhados, o pânico passou num relance, mas foi forçosamente reprimido.

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