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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 202

O iate, navegando velozmente, aproximava-se cada vez mais do farol.

Os homens a bordo, armados, revezavam-se na vigilância da cabine, de olho em Julian e Alícia.

— Fique atento, não deixe nada dar errado — ordenou um homem mais velho e de aparência rude a um rapaz que não devia ter nem vinte anos.

O jovem resmungou baixinho:

— Eles estão nas nossas mãos e estamos no meio do mar, o que eles podem fazer? Além do mais, temos armas. Se ele se mexer, eu meto uma bala nele.

— O seguro morreu de velho.

O jovem deu de ombros, indiferente. Olhou para as costas do homem que subia para o segundo andar e fez uma careta. Aqueles caras sempre jogavam o trabalho chato para ele, só pensavam em folgar.

Naquela imensidão de mar, ninguém ouviria os gritos de socorro. Ele tinha certeza de que Julian não tinha saída. Abraçado à arma, bocejou, encostando-se na porta da cabine, sonolento.

Faltavam menos de vinte milhas náuticas para entrarem na área da Cidade Mar, território do Sr. Soares.

Bastava entregar Alícia ao Sr. Soares e o futuro deles estaria garantido.

Ele já começava a fantasiar com o dinheiro infinito e as mulheres que teria quando voltasse. Pensando na vida boa que estava por vir, bocejou preguiçosamente mais uma vez.

Julian, com a mão direita e o dedo mindinho ferido, segurou o ombro de Alícia, acomodando-a em um canto mais confortável.

Assim que ele se moveu, Alícia agarrou a manga de sua camisa. Sem ousar fazer barulho, balançou a cabeça ansiosamente para ele.

Eles estavam armados. Julian estava desarmado e não era um lutador treinado. Como poderia enfrentá-los?

No início, eles ainda o tratavam com certa cortesia por ser o segundo filho da Família Gonçalo, mas se fossem provocados, aqueles criminosos mostrariam sua verdadeira brutalidade.

A mão gelada de Julian tocou levemente as costas da mão dela, e ele articulou sem som:

Julian era cirurgião especialista; conhecia perfeitamente os pontos vitais humanos e sabia como matar com um único golpe preciso.

O corpo do jovem deslizou suavemente para o chão. Primeiro como uma massa inerte, depois ficando imóvel e rígido.

Os homens de cima desciam para verificar a cada certo tempo, sem uma frequência fixa, mas já haviam se passado dez minutos desde que o homem rude subira. Julian sabia que tinha pouco tempo.

No instante em que o homem caiu, Julian pegou a arma dele antes que atingisse o chão e fizesse barulho.

Com a bala na agulha, Julian segurou a arma e subiu os degraus.

Graças ao som do motor e das ondas, seus passos na escada de madeira foram abafados e passaram despercebidos.

No andar de cima, três homens conversavam obscenidades, rindo e fantasiando sobre Alícia.

A expressão de Julian era assustadoramente fria. Ele calculou que, se disparasse três tiros consecutivos antes que o piloto chegasse à cabine onde Alícia estava, teria cinquenta por cento de chance de vitória.

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