Alícia teve vontade de devolver a pergunta ironicamente, mas engoliu as palavras antes que saíssem.
— Kylen me protegeu muito bem. Vá cuidar dele.
Yolanda não demonstrou nenhuma alteração em sua expressão; na verdade, sorriu com aparente alívio e disse:
— Desde que mandei demolir a casa na árvore que seu pai fez para você, o que te deixou tão triste, tenho dito ao Kylen que precisamos compensá-la. Ainda bem que ele estava lá quando o elevador quebrou. Se ele não tivesse te protegido, eu certamente o culparia.
O coração de Alícia estremeceu violentamente.
Então era isso.
Ao ver o rosto de Alícia empalidecer visivelmente, Yolanda sorriu de canto.
Ela se virou, puxou a manga da camisa de Kylen e disse com voz manhosa:
— A propósito, Kylen, você me acompanha até o quarto? Fiquei tão preocupada em te procurar que esqueci de tomar meus remédios. Se minha anemia não melhorar, você vai ficar sem dormir de preocupação comigo de novo.
Alícia ergueu os olhos apenas para ver o perfil frio de Kylen. A mão dele segurou o apoio da cadeira de rodas de Yolanda, e ele soltou um grave "hum".
Ela apertou as pontas dos dedos, reprimindo a estranha emoção que surgira no elevador.
Ele realmente mimava e tolerava Yolanda a esse ponto. Mesmo tendo assuntos urgentes para tratar, ele cedeu ao dengo de Yolanda apenas por preocupação com a anemia dela.
De volta ao quarto, após Yolanda tomar o remédio, ela se lembrou de algo:
— Kylen, você não tem consulta de retorno para os olhos hoje? Daqui a pouco eu vou com você.
— Não precisa. — Kylen olhou para o organizador de comprimidos vazio, levantou-se e caminhou para fora, dizendo com indiferença: — Descanse bem.
A cuidadora fechou a porta do quarto e se virou para Yolanda:
— O Diretor Lourenço tem muito carinho pela senhora.
Yolanda bebeu um gole de água e disse, pensativa:
— Eu sei.
Enquanto Kylen estivesse ao seu lado e continuasse se preocupando com ela, estava tudo bem.
Assim, valia a pena ter atirado em si mesma.
...
Alícia saiu do hospital e tocou no bolso.
Sua mão parou, e ela tateou rapidamente.
Não encontrou nada.
— Eu avisei que o senhor precisa descansar mais. A hiperemia ocular e os vasos sanguíneos visíveis ainda são problemas menores. Lembre-se de controlar o tempo de uso da visão quando voltar. Seus olhos estão em fase de recuperação, então é melhor evitar coisas como lentes de contato. Mas como o senhor nunca...
— Eu usei — interrompeu Kylen com a voz calma.
O oftalmologista ficou atônito.
— Usei lentes de contato coloridas.
O médico travou novamente, levando alguns segundos para respirar fundo e conter o comentário que estava prestes a soltar.
"Lentes de contato coloridas"... o Diretor estava falando de lentes estéticas!
Mas o Diretor Lourenço provavelmente não sabia o nome correto, caso contrário não teria usado a expressão redundante "lentes de contato coloridas".
Sua surpresa se devia ao fato de: por que diabos o Diretor Lourenço usaria lentes estéticas?
— Como o senhor pôde usar lentes estéticas? Seus olhos não são adequados para uso prolongado.
Ao lado, Vinicius memorizou silenciosamente: então lentes de contato coloridas se chamavam lentes estéticas.
Kylen levantou-se em silêncio e disse apenas duas palavras secas:
— Tenho compromisso.

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