Pensando bem, Lúcio estava zangado com ela sem motivo aparente, mas surpreendentemente voltou para salvá-la.
Pela sua nobreza e grandeza de espírito, ela não poderia simplesmente abandoná-lo.
Felizmente, Lúcio cooperou com o exame de Vinicius.
Após terminar a avaliação, Vinicius disse a Alícia:
— Não há ferimentos, senhora, pode ficar tranquila.
Vinicius não era de falar bobagens, então Alícia soltou um suspiro de alívio e entregou a Lúcio o celular que ele havia jogado no banco do motorista momentos antes.
— Lúcio, muito obrigada por hoje à noite.
Vinicius ergueu os olhos e lançou um olhar rápido.
Lúcio pegou o celular, olhou para Alícia com indiferença e digitou uma frase na tela:
[Eu te levo para casa.]
Alícia pretendia recusar educadamente; afinal, Lúcio havia gastado muita energia lidando com tanta gente, e ela não se sentia à vontade para tomar mais do seu tempo.
No entanto, pensou que seria uma boa oportunidade para perguntar por que ele estava bravo. Se o problema fosse realmente ela, certamente pediria desculpas.
Além disso, poderia aproveitar o momento para pedir que ele a ensinasse a atirar.
Então, ela assentiu.
— Tudo bem.
Seus olhos brilhavam sob a luz dos postes, e um sorriso curvava os cantos de seus lábios; a expressão radiante a fazia parecer uma pequena raposinha.
Era óbvio que ela estava tramando algo.
Lúcio desviou o olhar do rosto dela.
Como o carro de Alícia estava avariado e sem condições de uso, Lúcio caminhou em direção ao seu próprio veículo, um Classe G.
Ele abriu a porta do passageiro, cortando qualquer intenção de Alícia de sentar no banco de trás.
O restante dos assuntos no local foi deixado para Vinicius e Hélder resolverem.
O carro seguia suavemente pela estrada, e Alícia conteve várias vezes o impulso de questioná-lo.
Afinal, com o carro em movimento, Lúcio não teria mãos livres para digitar respostas no celular.
Finalmente, o veículo entrou no Baía Azul Serena.
O motor foi desligado.
O homem abriu a jaqueta corta-vento, tirou o suéter de cashmere e removeu uma fina camiseta de enchimento muscular que usava por baixo.
As linhas originais de seus ombros, costas e braços eram muito mais fluidas e firmes do que a camiseta simulava; ele tinha menos volume bruto, mas exalava uma força explosiva que contrastava com sua elegância.
O braço direito da camiseta de enchimento estava rasgado.
Em seu braço real, a ponta da adaga havia deixado apenas um corte superficial, que sangrava levemente.
A máscara preta arrancada foi jogada no banco do passageiro.
Ele abriu uma garrafa de água, ergueu ligeiramente o queixo, revelando a linha nítida da mandíbula e o pomo de adão proeminente, que se movia para cima e para baixo enquanto ele engolia a água.
De repente, o som de uma vibração suave ecoou no carro.
O homem tateou um compartimento secreto e tirou outro celular que mostrava uma chamada recebida. Seu polegar deslizou para atender.
Uma voz fria ressoou no silêncio do habitáculo.
— Foram homens enviados por Gustavo.

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