— Diretor Lourenço, a bala da Sra. Arantes já foi removida.
Fora da sala de cirurgia, o médico tirou a máscara e relatou respeitosamente ao homem à sua frente.
A bala atingiu um local relativamente fácil de acessar, então a cirurgia foi rápida.
A voz de Kylen soou fria:
— Quanto sangue foi transfundido?
O médico hesitou por um momento, pensando ter ouvido errado, pois raramente alguém se preocupava com a quantidade exata de sangue transfundido em um paciente.
No entanto, diziam que a Sra. Arantes era ex-namorada de Kylen. Com essa relação, era inevitável que Kylen se preocupasse com esses detalhes.
Ele respondeu com sinceridade:
— Pela quantidade de sangue que a Sra. Arantes perdeu, não seria necessário transfusão, mas como a hemoglobina dela estava muito baixa, administramos 200 ml de sangue.
Hemoglobina baixa.
Kylen franziu a testa.
Ainda não era o suficiente.
Nesse momento, um guarda-costas aproximou-se por trás e sussurrou algo em seu ouvido.
O médico esperava alguma instrução de Kylen, mas quando levantou a cabeça, viu que Kylen já havia se virado e entrado no elevador.
No saguão da emergência, Julian tirou o jaleco branco, colocou-o de lado e caminhou rapidamente até Alícia. Ele segurou os ombros dela com as duas mãos, examinando-a de cima a baixo.
— Você se machucou?
Ele teve uma cirurgia pela manhã e só soube do ataque terrorista na cerimônia de inauguração do lar de idosos da Família Lourenço quando saiu do centro cirúrgico. Ao ver a figura de Alícia nos vídeos de reprise da transmissão interrompida, entrou em pânico imediatamente.
Ligou para ela, mas ela não atendeu. Mandou gente investigar e descobriu que ela estava no hospital.
Agora, vendo-a inteira diante dele, a corda tensa no coração de Julian finalmente relaxou.
Alícia balançou a cabeça. Ouvindo a respiração ofegante de Julian, adivinhou que ele tinha vindo correndo.
Embora não tivesse sentimentos românticos por Julian, ela não queria vê-lo preocupado, então o consolou:
— Eu estou bem, Julian.
Alícia sentiu as mãos nos seus ombros apertarem cada vez mais. As pontas dos dedos do homem tremiam enquanto ele tentava conter suas emoções avassaladoras.
— Entendido.
Se Kylen fosse tão fácil de matar, não mereceria ser o patriarca da Família Lourenço.
Enviar aquelas pessoas hoje foi apenas para testar seus limites.
Quanto aos homens enviados, se morreram, morreram.
De qualquer forma, ele tinha muitas pessoas dispostas a dar a vida por ele.
O homem, segurando a taça, caminhou lentamente em direção à tela gigante na parede. Pegou o controle remoto na mesa de centro e apertou o botão de pausa.
Ele se aproximou passo a passo, tomou um gole de vinho e olhou com interesse para a imagem congelada no vídeo, onde uma repórter noticiava o ocorrido.
Ele levantou a outra mão, e as pontas dos dedos tocaram o rosto coberto pela máscara na tela, cobrindo a parte superior.
De repente, ele riu, e uma intenção assassina e fria surgiu gradualmente em seus olhos calmos.
— Então era uma repórter infiltrada.
— Alícia.

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