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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 124

Aquelas palavras obsessivas, ouvidas ao vivo, fizeram o coração de Enrique disparar de pavor.

Ele tentou aconselhar com paciência:

— Quando foi que ele já disse algo tão pesado assim? Esqueça isso, Julian. Apaixone-se por outra pessoa.

Enquanto falava, pegou o cotonete com um pouco de pomada para aplicar em Julian.

Mas a mão de Julian o afastou.

— Você acha que sou como você, que troca de mulher como quem troca de roupa, sem sentimento algum?

— Ei, você xingou o Kylen, não precisa me xingar também — Enrique reclamou, apontando o dedo para ele. — Se eu não tivesse interferido, você tem noção do quão feia a coisa teria ficado hoje? Já ouviu dizer que mulher de amigo é sagrada?

Embora ele conhecesse a versão cafajeste da frase — que mulher de amigo era pra ser talaricada.

Mas isso era algo que jamais poderia ser dito na frente de Julian.

Caso contrário, Julian perderia a cabeça de vez. E se Julian perdesse a cabeça, Kylen seria ainda pior, e aí adeus à cortesia entre os "irmãos".

Julian baixou os olhos para a própria mão. Havia uma ferida em seu rosto bonito e sereno.

— É impossível desistir da Alícia. Esperei três anos até que ela pensasse em desistir. Se o Kylen não se divorciar, eu o forçarei a isso.

Enrique arfou.

— Você ficou maluco de vez!

— Esqueça o Kylen por um minuto. E a Alícia? Ela sabe que você gosta tanto dela assim? Ela aceitaria você? Você sabe o preço que vai custar forçar o Kylen a um divórcio? E se no final ela não te aceitar, vai ter valido a pena?

Julian ficou em silêncio por um momento. Enrique achou que ele finalmente estava caindo em si.

Mas então Julian perguntou:

— Tem cigarro?

— Pra quê? Você não fuma.

Apesar de dizer isso, Enrique tirou o maço e o isqueiro do bolso.

Julian acendeu um cigarro.

— Se vale a pena ou não, sou eu quem decido.

Enrique quase acreditou que ele tinha recuperado o juízo!

Kylen não tocou nos talheres. Apenas sentou-se silenciosamente à mesa e folheou o jornal. Yolanda sempre soube que ele tinha esse hábito à moda antiga, em parte porque agredia menos os olhos do que telas eletrônicas.

— A Alícia realmente não vai voltar a morar aqui? — perguntou ela, tomando a sopa, como quem não quer nada.

Kylen não levantou os olhos. Disse com indiferença:

— Por que falar dela?

Yolanda hesitou por um instante, não disse mais nada e continuou a tomar a sopa.

O clima na sala de jantar era de absoluto silêncio.

Após o jantar, Yolanda olhou pela porta de vidro que dava para o jardim. Chovia, e as luzes externas pareciam cobertas por uma fina camada de gaze. Ela suspirou:

— A chuva apertou.

Só então Kylen ergueu o olhar.

— Sim. Volte logo para casa.

Yolanda apertou os dedos. Será que ele realmente não tinha entendido a insinuação?

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